Apesar de roubos e espancamentos, secretário de Segurança diz que “ rolezinho” é um “fenômeno cultural” (ver vídeo)


“Não sei de onde surgiu um monte de gente correndo, um adolescente me deu uma rasteira e eu caí. Pensei que ia morrer pisoteado”. Essa declaração foi dada por uma pessoa que estava no shopping Itaquera, em São Paulo, no final de semana passado, quando jovens, muitos deles menores de idade, realizaram um desses encontros que vêm sendo chamados de “rolezinhos” e que são marcados pelas redes sociais. O rapaz, que não quis se identificar, sequer prestou queixa na polícia sobre o que aconteceu porque está com medo até de sair de casa. Nesse mesmo “rolezinho” houve quebra-quebra, furtos e roubos.

Esse é apenas uma dos depoimentos traumáticos de pessoas que se depararam com jovens que, quando estão em grupo, transformam-se em turbas ensandecidas que são capazes até mesmo de covardes atos de violência como o que ocorreu com um guarda municipal. Mas, apesar disso, o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse considerar os “ rolezinhos” um fenômeno cultural, motivo pelo qual não deve ser tratado como caso de polícia.

Para Grella Vieira, os rolezinhos evidenciam a necessidade de o poder público investir em opções de lazer para os jovens. Porém, o secretário esqueceu de comentar sobre os direitos constitucionais de outros cidadãos, como o de ir e vir, e que o erro cometido pelo Poder Público, que não dá opções de lazer para esses jovens, não justifica se “divertir” descontando sua frustração e falta de expectativa em pessoas que nada têm a ver com isso. Desde quando violência e roubo deixou de ser crime e passou a ser “fenômeno cultural”? (Any Margareth)

Veja o “fenômeno cultural” no vídeo abaixo: