Como Páscoa é sinônimo de renovação, será que dá pra certos políticos mudarem o discurso que afronta a nossa inteligência e a nossa paciência?


Vários vereadores se revezaram na tribuna, durante as sessões plenárias da Câmara Municipal de Manaus dessa semana, em discursos com pesadas criticas a empresa Manaus Ambiental, seja por cobranças irregulares de taxa de esgoto onde nem existe esgoto, o que representa um aumento de 100% nas contas de água a serem pagas, seja pela cobrança do fornecimento de água num preço exorbitante onde pessoas ficam dias sem água. Têm também os casos em que não existe o fornecimento de água encanada, mas as contas chegam, ou ainda milhares de reclamações pela qualidade da água com elevados níveis de cloro que provocam reações alérgicas. E em todos esses casos, o atraso no pagamento das faturas faz com que o nome dos cidadãos da nossa cidade sejam incluídos nas instituições de restrição ao crédito, utilizando linguagem popular, além de prestar um serviço de “porco”, explorando e desrespeitando o nosso povo,  a empresa ainda se dá ao direito de “sujar o nome” dos consumidores, numa total inversão de valores. E desta vez, a surpresa não ficou por conta de ouvir o discurso crítico por parte do pequeno grupo de vereadores de oposição na Casa, os petistas Waldemir José, prof. Bibiano e Rosi Matos, já que esses vivem como a “pregar no deserto” reclamando do tratamento dado pela Manaus Ambiental à população. Foi de ficar perplexo, ver vereadores da bancada de apoio ao prefeito Artur Neto, postados na tribuna, de peito estufado, em tom exaltado, literalmente largando a peia na Manaus Ambiental.

Os revoltados

No roll dos discursos “revoltados” contra a Manaus Ambiental, propensos candidatos a deputado estadual, desde o líder do partido do prefeito na Casa, o PSDB, o vereador Mário Frota, passando por parlamentares da lista de favoritos do prefeito como o “Pop da Selva”, Arlindo Júnior, o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Álvaro Campelo, o relator da tal de Comissão da Água, Luiz Mitoso, o líder do Partido Trabalhista Cristão (PTC), Walfran Torres, e o 2° vice-presidente da Casa, Joãozinho Miranda, que inclusive estava presidindo a sessão plenária.

Só no discurso?

Mas, será que além do discurso de efeito pra agradar eleitor, do blá blá blá, e do lero-lero, dá pra lembrar que o Legislativo entre suas funções é fiscal do Executivo e pode cobrar da Prefeitura, que inclusive é quem garante a concessão à Manaus Ambiental, para que enquadre a empresa dentro das normas legais de defesa dos direitos dos consumidores e aplique punições caso continue desrespeitando o povo de Manaus? E dá para os vereadores aliados do prefeito lembrarem seu líder político Artur Neto que a relação política é – ou pelo menos deveria ser – uma via de mão dupla, e já que eles votam a favor de tudo que é projeto que a Prefeitura envia à Câmara, o prefeito em contrapartida bem que poderia dar uma resposta às reclamações dos cidadãos que são representados por esses vereadores, não é mesmo? Ou vão ficar sempre no discurso?

Afronta de paciência

E o líder do prefeito na Casa, vereador Wilker Barreto, que preside mais uma Comissão da Água – já houve outra que não deu em nada – ficou apenas na explicação de que está esperando resposta para questionamentos feitos pelos vereadores tanto à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Amazonas (Arsam) quanto à Manaus Ambiental, sobre os problemas enfrentados pela população. Os vereadores têm que esperar a boa vontade de ainda mandarem resposta, é? Diante disso, quem manda em quem, hein?

Abuso de inteligência

E porque os autores dos discursos revoltados ficaram caladinhos quando o prefeito renovou o contrato de concessão com a Manaus Ambiental sem em nenhum momento, nem eles (vereadores), nem o chefe do Executivo, contestarem a cobrança de esgoto onde não existe um metro de cano de esgoto”?” – expressão usada pelo presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, Álvaro Campelo em seu discurso criticando a Manaus Ambiental.

Abuso de Inteligência (parte II)

E ainda tiveram a coragem – se é que a gente pode chamar isso de coragem – de votar contra eles mesmos, mantendo o veto do prefeito Artur Neto ao projeto do petista Waldemir José que, se tivesse virado Lei, obrigava a Manaus Ambiental a fornecer água gratuitamente aos consumidores, através de carros pipa, em locais da cidade onde os moradores estivessem sem água há mais de 24 horas. Primeiro, votaram a favor do projeto, mas quando o “mestre” mandou dizer “não” à garantia desse direito da população de ter água, repetiram “não” num coro só. Tão pensando que a gente é um bando de descerebrado sem memória, é?

Antena ligada

E o Radar está de antena ligada pras bandas da Câmara pra saber o que vai dar mais essa Comissão da Água com a promessa de que tudo vai melhorar nesse setor de abastecimento de água, determinado por Lei como serviço essencial ao cidadão. Nem que seja em nome do voto, vamos partir pra ação porque o Radar vai fazer questão de dizer quem não faz só discurso, mas resolve mesmo. Prometemos!