Davi Almeida fala de “interesses de Amazonino” por trás do pedido do bloqueio das contas do Governo


O governador interino David Almeida deu a entender que ha interesses do governador eleito para o mandato tampão, Amazonino Mendes, por trás do pedido de bloqueio das contas do Estado. Ele afirmou que Amazonino Mendes (PDT) pretende decretar estado de emergência no Amazonas para dispensar licitações e realizar contratações obscuras em sua gestão. A declaração foi dada nesta segunda-feira (28), durante o anúncio do pagamento de R$ 236 milhões em abono para 31 mil professores da rede pública.

“Estão querendo pregar o que não existe. Estão querendo falar isso para decretar emergência, acordem! Sabe para quê isso? Para dispensar as licitações e contratar quem eles querem. Eu vou acabar com isso mostrando os dados”, disse David Almeida, ao rebater as alegações feitas por Amazonino na manhã desta segunda-feira.

Mendes foi ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) pedir o bloqueio das contas do governo alegando que David Almeida já teria gasto mais de R$ 600 milhões com ações desnecessárias. Almeida rebateu afirmando que Amazonino ainda não tem legitimidade para falar como governador e que, nesta terça-feira (29), vai ao TCE levar dados que provam o contrário.

“Primeiro é preciso ter legitimidade. Ele ganhou a eleição ontem e ainda não está nem legitimado a falar como governador. Segundo, eu tenho os dados que provam o contrário do que disse Amazonino”, afirmou.

Em tom de desafio, David disse que Amazonino terá que fazer melhor do que ele fez enquanto ficou no cargo. Ele disse ainda que o próximo governador não terá tantas preocupações com as finanças do Estado, pois, de acordo com ele alguns problemas pontuais foram resolvidos e o Estado já está bem melhor do que na época em que ele assumiu no lugar do governador cassado, José Melo (PROS).

“Só para investimento do governo serão R$ 415 milhões, em infraestrutura. Para educação terá R$350 milhões. Não tem do que reclamar. Eles queriam que eu ficasse na cadeira do governo como um inapto só recebendo ordens. Eu estou mostrando o contrário e eles tem a obrigação de fazer mais e melhor do que eu fiz. Ele está agindo de forma infantil”, ponderou.

O governador ressaltou que Amazonino quer criar um cenário sombrio para depois dizer que pegou o Estado falido o que de acordo com ele, não é verdade. “Ele não conhece dos números, eu achei que ele fosse alguém experiente e não alguém que tem desinformação. Chega a ser ingênua essa falta de conhecimento. Eu só fiz o que deveria ser feito e isso incomoda muito eles que não queriam que eu fizesse o necessário. Eu vejo que eles querem tumultuar”, comentou.

David disse que fez o necessário e ressaltou que não poderia apenas esquentar a cadeira de governador. “Já pensou passar trinta dias sem pagar um fornecedor? É isso que ele queria. Eles estão incomodados com tudo que está acontecendo. O Estado está andando. Eles querem criar um clima ruim para depois de duas semanas decretar emergência aí todos já sabem o que acontece”, destacou.

PAGAMENTO DE ABONO

Ainda nesta segunda-feira, o governador David Almeida anunciou que aproximadamente 31 mil servidores do Estado, entre professores e pedagogos vão receber, a partir do dia 4 de setembro,  a primeira parcela do abono que será pago pelo Governo. O valor total a ser pago por carga horária – 20h, 40h e 60h – varia de R$ 6 mil a R$ 18 mil. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 28, pelo governador David Almeida durante reunião com aproximadamente três mil profissionais da Educação.

Serão destinados R$ 236 milhões à categoria, em quatro parcelas, provenientes de recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

“Eu não estou fazendo mais que minha obrigação. Esses recursos já são carimbados, já estão em caixa e nós vamos fazer o pagamento parcelado em quatro vezes. Nós não estamos criando nenhuma despesa, essa é uma receita extraordinária e nós não estamos criando uma despesa fixa com o pagamento do abono”, destacou o governador David Almeida.

De acordo com o secretário de Estado de Educação, Arone Bentes, o abono será pago de acordo com a carga horária que varia de 20, 40 e 60 horas. Os profissionais, que atuam com carga horária de 20 horas, devem receber aproximadamente R$6 mil. Já os de 40h e 60h, respectivamente, R$12 e R$18 mil.

Fotos: Erik Oliveira e Secom