Davi Almeida manda CPI da Afeam para o “arquivo morto”; deputados PMs retiram assinaturas


A promessa feita pelo presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado Davi Almeida, do PSD de Omar Aziz, no dia 9 desse mês não foi cumprida. Ao invés dele instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Afeam, ele mandou o pedido de abertura da comissão para o “arquivo morto” – bem morto mesmo! Após tentar desqualificar a CPI de todas as maneiras, Davi Almeida enfim deu o golpe final para enterrar a CPI de vez. “No dia de hoje recebo, por livre manifestação de dois deputados, o pedido de retirada das assinaturas desse requerimento, então o requerimento não possui os pressupostos de admissibilidade por não ter oito assinaturas”. Os deputados PMs, Cabo Maciel e Platiny Soares, retiraram assinaturas.

A situação descrita pelo Radar é igualzinha àquela expressa numa frase dita em tom de deboche, em alto e bom som pra tudo que é jornalista ouvir, pelo líder do Governo de Melo na Casa, o deputado Sabá Reis, do PR de Alfredo Nascimento. “A CPI está morta e enterrada”, disse ele, entre risos.

Enquanto tentava justificar o injustificável, o empurra-empurra do requerimento da CPI da Afeam por quase três meses e agora seu súbito arquivamento, Davi Almeida foi interrompido várias vezes pelo deputado petista José Ricardo, que a toda frase dita pelo presidente, arrematava classificando a situação como: “isso é um golpe contra o povo, dinheiro público roubado, desviado,  e a Assembleia não investiga. É lamentável, usar subterfúgios pra não investigar”.

O pedido de abertura da CPI da Afeam foi feito no dia 22 de novembro do ano passado, por nove deputados estaduais – Alessandra Campêlo (PMDB), Bosco Saraiva (PSDB), Cabo Maciel (PR), José Ricardo (PT), Luiz Castro (Rede), Platiny Soares (DEM), Sinésio Campos (PT), Vicente Lopes (PMDB) e Wanderley Dallas (PMDB).

O fato a ser investigado é uma aplicação financeira de R$ 20 milhões (que agora já se sabe que atingiu a cifra de R$ 25 milhões) feita pela Agência de Fomento na empresa Transexpert Vigilância e Transporte de Valores, sediada no Estado do Rio de Janeiro. A Polícia Federal (PF) suspeita que a Transexpert era usada por uma organização criminosa para lavagem de dinheiro do esquema de corrupção comandado pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que está preso. Ou seja, o dinheiro do Banco do Povo do Amazonas foi parar num esquema de propina no Rio de Janeiro e não será devolvido.

Governistas sumiram

Durante toda a sessão plenária desta quinta-feira (16) os deputados que fazem parte da bancada de apoio ao governador, “professor” José Melo, desapareceram do plenário da Assembleia Legislativa. Foram se reunir em lugar incerto e não sabido e, nem por reza braba, ninguém dizia – ainda mais pra repórter, né gente? – onde eles estavam juntos, com certeza, preparando o “enterro” da CPI da Afeam.

Os únicos a permanecerem no plenário foram os deputados de oposição. Um deles, Luiz Castro (Rede) chegou a dar entrevista à imprensa dizendo ter ouvido do próprio presidente da Casa, Davi Ameida, a garantia de que a CPI seria instalada, mas apenas na próxima terça-feira (21).

“Ele deu a justificativa de que, ontem foi votação que era complicado fazer a instalação (da CPI) e que, hoje, alguns parlamentares estariam ausentes, estariam viajando, então ele (Davi Almeida) entendeu que seria melhor fazer a instalação na terça-feira, porque quer conversar com todos os deputados, pelo menos com a maioria absoluta, sobre a composição da CPI”, contou Castro.

Para decepção de Luiz Castro, o presidente da Casa, pelo visto, mentiu – coisa feia pra quem se diz evangélico, né mesmo gente? No retorno de Davi Almeida para anunciar o enterro da CPI da Afeam, vários deputados governistas continuaram sumidos, mesmo aqueles que retiraram as assinaturas, Cabo Maciel e Platiny Soares. Eles não quiseram sequer justificar porque, após quase três meses, se convenceram – ou será que foram “convencidos”? – de que a não há necessidade da Assembleia investigar onde foram parar os R$ 25 milhões do Banco do Povo. (Any Margareth)