Deputado quer que Afonso Lobo vá à Aleam esclarecer denúncia de “cruzeta” com ex-sócios que receberam R$ 36 milhões do Governo


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O deputado estadual, Bosco Saraiva (PSDB) fez requerimento (ver documento no final da matéria) para que secretário de Estado da Fazenda, Afonso Lobo, vá à Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) dar explicação sobre a denúncia feita pelo jornal Diário do Amazonas de que ele tem o que se chama popularmente de “cruzeta” – eu te dou aqui e tu me devolve ali, entendeu né gente? –  com empresários do ramo de medicamento que até 2010 foram seus sócios na empresa Tapajós Perfumaria Ltda. A empresa do ex-sócios de Afonso Lobo inclusive é homônima da que o secretário é um dos donos, a Tapajós Medicamentos Ltda.

A Tapajós Medicamento dos ex-sócios de Afonso Lobo recebeu desde 2010 mais de R$ 36 milhões do Governo do professor Melo para fornecimento de medicamento ao Estado, unidades de saúde da capital e municípios do interior – com essa dinheirama toda, alguém quer me dizer porque o povo reclama tanto da falta de medicamento! E esses milhões foram pagos exatamente pela secretaria de Afonso Lobo, a de Fazenda.

Bosco Saraiva informou ao Radar que, nesta terça-feira (20), estavam sendo colhidas assinaturas de outros parlamentares para corroborar a vinda do secretário Afonso Lobo à Assembleia Legislativa para esclarecer os fatos. O parlamentar disso que, nesta quarta-feira (21), o requerimento será encaminhado à Mesa Diretora da Casa.

“A denúncia do Diário do Amazonas é gravíssima e uma denúncia dessa natureza tem que ser esclarecida. Ele (secretário) tem que rebater imediatamente tais fatos”, explicou Bosco Saraiva arrematando: “Acredito que a vinda do secretário é para o bem dele próprio”.

Vários deputados já assinaram o requerimento de convocação de Afonso Lobo. A deputada Alessandra Campelo, disse ter assinado de pronto o documento porque todo agente público deve satisfações à sociedade. “ O papel da Assembleia é fiscalizar e não existe assunto que não possa ser fiscalizado. Não se está prejulgando ninguém. O que se quer é apenas esclarecer fatos que atingem a população como o fornecimento de medicamento pago com dinheiro público”, disse a parlamentar.

Cruzeta ou chantagem  

Já o secretário de Fazenda, Afonso Lobo não vê nada demais – nem legalmente, nem moralmente – no fato de que seus ex-sócios sejam fornecedores do Estado, pagos por ele próprio, num montante que já ultrapassou R$ 36 milhões – mas se nem os órgãos, fiscais da Lei, viram nada demais em o secretário de Fazenda pagar o sogro que foi preso na Operação Maus Caminhos, que dirá pagar ex-sócios, né mesmo gente?

“O que se tenta é criar um factoide, como se ser sócio de uma empresa fosse ilegal. Sou sócio sim da Tapajós Perfumaria desde 2003, sócio cotista minoritário, como permite a legislação, e assumi essa condição nove anos antes de ser empossado no cargo de secretário da Fazenda. Na ocasião, em 2003, tive como sócios empresários que se tornaram fornecedores do Estado, mas desde 2010 a sociedade foi desfeita com os mesmos, ou seja, também anos antes de ocupar o cargo de secretário, cargo que assumi em dezembro de 2012”, argumenta Afonso Lobo, em nota enviada aos veículos de Comunicação.

Em resposta à denúncia do jornal, Afonso Lobo parte pro ataque e diz as acusações são fruto de uma chantagem do dono do jornal que “teve seus interesses contrariados ao não conseguir ganhar uma licitação do Governo do Estado. (Any Margareth)

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