No Dia Internacional da Mulher fazemos uma manifestação de fé nos Homens


paz

Por Any Margareth

Particularmente, nunca gostei muito desse negócio de Dia da Mulher (8 de março). No momento em que escrevo, me vem a mente a questionadora, e por isso única, colega de redação Elaine Ramos, já falecida. Bastava tocar no assunto de Dia da Mulher pra Elaine tascar de lá o questionamento: “Tem Dia do Homem? Não tem, não é mesmo? Tem dia do Índio, Dia do Negro, Dia da Mulher, que eles chamam de minorias e massa oprimida. As mulheres não são minoria e muito menos deveriam se deixar oprimir. Isso só serve pra utilização política…”. E lá ia Elaine Ramos desfiando sua ojeriza pela existência de um dia para mulheres e os “focas” – iniciantes na profissão de jornalista – boquiabertos com a força daquele discurso. E as palavras de Elaine calaram fundo na alma. E diante de qualquer tipo de opressão sempre parti pra “briga”, no que sempre tive apoio de muitos homens ao redor. Também tem o fato de que tive um pai que criou 13 filhos, 12 deles frutos de um casamento de quase 50 anos com minha mãe, e ainda uma filha de criação, com o mesmo tratamento dado as outras sete “filhas de sangue”. Homem simples, mestre de obras, ou “peão de obra” como ele mesmo assumia ser, pecava por excesso de rigidez, muitas vezes era violento, mas honrado, honesto e respeitoso com esse monte de mulheres a sua volta. E tem ainda os vários exemplos de homens públicos com quem tive a honra de trabalhar e que me fazem testemunhar: nem todo político é bandido, não! E ainda tem exemplos como o de Coari, onde há vários homens que têm tido a coragem de se opor, de lutar contra a exploração sexual de crianças, mesmo enfrentando forças poderosas, mesmo se colocando no “olho do furacão”. Isso sem falar em muitos outros casos que têm chegado ao conhecimento do Radar de Homens que enfrentam os “coronéis de barranco” das suas cidades, homenzinhos ridículos que acham que compram tudo, e todos . É pra esses Homens que, no Dia Internacional da Mulher, fazemos uma manifestação de fé, de que juntos, não importa o sexo, a raça, o credo, a orientação sexual, ou qualquer outra coisa que nos distingue, pensemos apenas nos sentimentos de humanidade que nos une.