Em exclusiva ao Radar, Braga solta o verbo!


Nosso Radar foi ao encontro, nesta segunda-feira (10), do senador Eduardo Braga (PMDB), líder da presidente Dilma Rousseff no Senado Federal, pré-candidato nas eleições desse ano ao Governo do Amazonas. Os sinais captados pelo Radar, logo na chegada, sobre a influência de Braga na vida política local estavam na antessala, onde várias pessoas já o esperavam. Braga respondeu o que foi perguntado pelo Radar, não se esquivou, não desconversou. E tanto disse, quanto pareceu estar pronto para “a guerra” de mais um processo eleitoral, Leia, na íntegra, a entrevista de Braga no nosso Radar!

Radar: Senador, como está esse começo de caminhada da sua pré-candidatura?

IMG_3158Braga – Como você mesmo colocou é um começo de caminhada. Três semanas atrás, é que reunindo com nossas bases, reunindo com nossos companheiros e depois de um ano de pesquisas, aonde a população, o povo vem manifestando sua vontade que nós possamos ser novamente candidato ao Governo do Estado, nos colocando numa posição de favorito nessas pesquisas, portanto, de certa forma, tanto eu, quanto nossos companheiros sentimo-nos meio que chamados, meio que convocados pela população. Então, vendo todas essas circunstâncias nós tomamos a decisão de nos colocarmos como pré-candidato. A partir de então, começamos a conversar com os partidos políticos e com as lideranças políticas e, ao mesmo tempo, eu comecei a reunir com líderes comunitários, a ir às reuniões em bairros, pra que a gente possa verificar in loco (no local) o que efetivamente estamos vendo em pesquisas. Posso dizer que estamos muito entusiasmados com o que estamos construindo.

Radar: No dia da leitura da mensagem do governador na ALE, muitos jornalistas comentaram sobre o tom dado pelo governador em seu discurso, mas poucos escreveram. No Radar, nós tivemos a leitura que teve muito um tom de recado quando o governador falou sobre dívidas que teve que pagar, e que muita gente não acreditou que ele fizesse tanta coisa em tão pouco tempo. O senhor toma isso como recado?

IMG_3199Braga: Primeiro, eu não percebi nenhum recado a mim. Segundo, se eu não acreditasse que o Omar fosse dar conta do recado por que eu entregaria o governo pra ele? Por que eu o apoiaria? Em três vezes na minha vida tive a oportunidade de decidir o que faria com meu apoiamento político, sem nenhuma interferência, porque governar é meio solitário. Em 2006, quando fui decidir quem era meu vice, eu escolhi pessoalmente o Omar, mesmo que muitos naquela época quisessem questionar o meu posicionamento. Em 2008, o Omar pretendeu a prefeitura de Manaus eu podia ter apoiado o Amazonino, eu podia ter apoiado o Serafim, mas não, eu apoiei o Omar porque eu entendia que era o momento do Omar ter a oportunidade de mostrar, porque achava que ele estava preparado. O Omar não foi nem pro segundo turno. O segundo turno foi Amazonino e Serafim. Mas, quando chegou em 2010 eu estava convencido que o Omar era capaz de dar continuidade ao programa que nós estávamos fazendo, e mesmo contra a recomendação do Lula que aquela altura queria apoiar o Alfredo, eu via que o Omar podia continuar o nosso projeto e o nosso trabalho. Então, quando Omar fala em seu discurso que houve quem não acreditasse nele, ele não está me incluindo. Com certeza deve estar falando de outras pessoa e não de mim. E muito menos o Melo, que tentou a vida inteira chegar na chapa majoritária e nunca ninguém dava espaço pra ele, foi o PMDB, e o então governador Eduardo Braga, que o indicou pra fazer parte da chapa majoritária do Omar, e ponto. Isso são fatos históricos que estão aí pra pessoas registrarem.

IMG_3191Radar: E o senhor, então, não se incomoda que, segundo notícias que chegam ao Radar, que é mais lido no interior do que na capital, o vice-governador se apresente como o candidato do Governo?

Braga: Ninguém hoje pode se apresentar como candidato. Pode se apresentar como pré-candidato. Ninguém hoje pode se posicionar usando a máquina pública porque isso é crime eleitoral. Portanto acho que uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa, eu venho dizendo isso, e já tem gente copiando. Mas, o que quero dizer com isso é só o seguinte: a minha relação com o Omar é uma relação antiga, de 30 anos, minha relação com Melo a mesma coisa. Mas, eu vejo que a classe política está tão desacreditada pelo povo exatamente por causa dessas conduções inapropriadas…

Radar: Mas, o senhor não se sente magoado?

IMG_3190Braga: De forma alguma. A gente dá aquilo que pode dar, e que tem pra dar. Eu sou muito religioso. Não sou aquele religioso que está todo domingo na igreja, não. Eu sou aquele cara que todo o dia abre a Bíblia, tá aqui minha Bíblia em cima da mesa, se você for no meu escritório, ali do outro lado (da rua) tem outra Bíblia, na minha cabeceira também tem outra, e todo dia e toda hora que eu tenho que fazer uma reflexão, eu não vou buscar essa reflexão em Maquiavel – o livro O Príncipe de Nicolau Maquiavel , escrito em 1513 e até hoje usado por muitos políticos – vou buscar essa reflexão na Bíblia com aquele que nos mostrou como fazer o bem. Mas, nem todo mundo é assim. Muitos agem de forma diferente. Mas, por causa disso eu não vou me amargurar. Não tenho problema com ninguém, não tenho mágoa, não tenho rancor, não tenho ódio, eu tenho um respeito e uma gratidão muito grande, muito amor pelo povo e pelo Estado do Amazonas que fez tudo por mim. Eu fui vereador eleito pelo povo, fui deputado estadual, fui deputado federal, fui vice-prefeito do Amazonino, fui prefeito também eleito junto com Amazonino, depois eu perdi uma eleição pra governador, respeitei a derrota, não fiquei tumultuando a vida das pessoas pra querer levar a decisão pro tapetão – precisa dizer de quem ele estava falando? – mesmo tendo perdido por 0,23% dos votos. Em 2000, perdi de novo, no segundo turno, numa eleição pesadíssima, contra quem (?), contra Alfredo e Omar, nem por isso sou inimigo do Omar, sou inimigo do Alfredo, nem por isso fico trazendo isso pro campo pessoal. Quando foi em 2002, ganhei novamente como governador e em 2006 ganhei a eleição disputando contra Amazonino e Artur, e ganhei no primeiro turno! E em 2010, o povo do Amazonas me deu a maior votação de todos os tempos que um político já teve. Tive um milhão e duzentos e trinta e oito mil votos, nenhum outro político já teve isso no Amazonas. Então eu digo a você que eu tenho mesmo é um sentimento de gratidão e um amor muito grande por essa terra e esse povo.

Radar: Mas, o senhor sabe que em política a coisa não funciona desse jeito. Por exemplo, há pressão para que políticos do interior passem para o PROS (Partido Republicano da Ordem Social)?

IMG_3148Braga – Eu acho isso uma prática da política velha, da política ultrapassada. Veja, você hoje está na internet, com o teu portal, você é portanto um veículo da contemporaneidade de uma nova sociedade, uma sociedade que não tem como ser censurada, não tem mesmo, uma sociedade que é instantânea, porque aconteceu um fato lá em Itamarati, alguém fotografa e dali a pouco esta na rede.  E aí eu quero oprimir, chantagear, pressionar. As pessoas podem até ir, mas vão e não vão. A mim compete, alertar as instituições de comando e controle, Ministério Público Eleitoral, Tribunal  Regional Eleitoral, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Tribunais de Contas da União e do Estado porque não se pode é apoiar crimes administrativos.

Radar: O que aconteceu com a PEC da Zona Franca, por que travou?

IMG_3146Braga – Travou por causa da bancada paulista que, mais uma vez, quer pegar carona no que é nosso, mas eu estou muito esperançoso que, se não nessa semana, na outra, nós vamos pautar na Câmara, e vamos pro embate com a bancada paulista. Eles são fortes? São poderosos? São, mas não são Deus, Deus é maior do que eles. Então, nós vamos enfrentá-los. Com o apoio da DIlma, com o apoio do Lula, estive com o Lula, estive com a Dilma, vamos pro voto. Se eles podem, tudo bem, mas Deus é maior do que eles, e sabe  quanto a Zona Franca é importante para o nosso povo. Sem a Zona Franca essa floresta não fica de pé. E esse calorzão que o Brasil tá vivendo, sem essa floresta vai virar um inferno…

Radar: O mar vai virar sertão…?

IMG_3209Braga – É isso, o mar vai virar sertão. Então, São Paulo está aí vivendo escassez de água. Por que? Porque as matas ciliares foram todas desmatadas. Então, o projeto Zona Franca, lá atrás foi por uma razão, hoje é fundamental por causa do ecossistema, por causa da biodiversidade, por causa do clima. Nós não estamos pedindo isso porque nós somos pobrezinhos, porque nós estamos de joelho, não! Se nos tirarem a Zona Franca nós vamos derrubar essa floresta, ou nós vamos morrer de fome? Nós vamos explorar nossa mineração, ou nós vamos morrer de fome? Eu sou assim, digo isso com essa tranquilidade, mas não sou assim aqui, entre quatro paredes, num ar-condicionado em Manaus. Digo isso, no interior, digo isso em Brasília, em foros internacionais, e digo isso no mundo inteiro. E foi isso que durante os oito anos que eu fiquei no Governo, eu ajudei a mudar a visão do mundo em relação à Amazônia.Isso ninguém pode tirar de mim. Porque eu fui como aquele cara que vai pregar no deserto. Quando comecei a dizer que nós não desmatávamos e não éramos reconhecidos por isso, muita gente dava gargalhada na minha cara. Até que começaram a perceber com a nova tecnologia, com monitoramento, que aquilo que eu dizia era verdade.  Portanto, prorrogar a Zona Franca é fundamental para o equilíbrio do clima, é fundamental pro Brasil continuar produzindo soja, é fundamental pro Brasil continuar produzindo algodão, milho, pro Brasil continuar sendo o maior produtor de carne do mundo. Porque sem o equilíbrio climático, o gado morre de fome morre de sede, a soja não produz, o algodão não acontece, portanto esse é o preço que o Brasil tem que pagar pra que a gente possa manter o equilíbrio do ecossistema. Isso não é pouca coisa não, mas tem muita gente que não vê isso com esse respeito, com essa estratégia.

Radar: E essa é a sua estratégia?

IMG_3193Braga – Essa é a diferença. Por isso, tenho esperança de que nós vamos prorrogar a Zona Franca. Quinta feira a presidenta Dilma vem pra Manaus. Ela vai chegar quinta-feira, dorme aqui de quinta pra sexta, e vamos fazer vários eventos com ela, aqui, em Manaus. Mais uma vez ela está vindo aqui, portanto, eu quero dizer a você que, pra mim, política é isso, encontrar soluções pra bem servir à população e ter instrumentos de políticas públicas que possam construir um avanço da nossa população na qualidade de vida, diminuindo o analfabetismo, melhorando a saúde, combatendo a mortalidade infantil, combatendo a mortalidade materno, criando políticas públicas inovadoras. Eu fiz o Prosamin, mas não quero ficar apenas fazendo o Prosamin, eu quero acelerar o Prosamin que tá meio parado, precisa acelerar mais. Eu quero ir além. Eu não quero apenas levar o Prosamin para o interior porque essa é uma fórmula que já deu certo, é só replicar a fórmula. O que eu quero é ter oportunidade de ser mais inovador. Criamos a Região Metropolitana, construímos uma ponte, fizemos o gasoduto, trouxemos o Linhão de Tucuruí. Tudo isso é infraestrutura que alavanca o nosso Estado pro futuro, mas precisa fazer mais. Consegui como senador fazer a reforma do aeroporto (Eduardo Gomes), o maior legado da copa do mundo e o nosso novo aeroporto…

Radar: Mas, o que se viu também é que ficou no aeroporto, outras obras não vieram, aquilo que se esperava…

IMG_3179Braga – (ele terminou a frase) não aconteceu. E eu lamento muito…

Radar: O transporte público é um inferno.

Braga – Mas, eu deixei o dinheiro. O dinheiro está aí. E houve problemas não resolvidos com o Ministério Público, com a Justiça, etc. Mas, o mais difícil não é superar isso. O mais difícil é você ter o dinheiro. E o dinheiro esta aí. Tanto pro Monotrilho, como pro BRT.

Radar: Fora outros problemas, né senador, que estão infernizando a vida do nosso povo. Um exemplo disso é pagar taxa de esgoto onde não existe…

Braga – Com relação a esse tema saneamento o Amazonas sabe a minha posição. Eu sou crítico da Manaus Ambiental, da Manaus Saneamento, o nome que quiserem dar. Eu sou crítico desde quando fizeram o tal leilão da Cosama pra Lyonnaise Des Eaux (empresa francesa que comprou a Cosama) e criaram a Águas do Amazonas. Se não fosse o Eduardo ter feito o Proama, até hoje não tinha água na Zona Leste e na Zona Norte. Então, é isso! Acho que o que precisa é vontade política e gestão. Os problemas existem, eles estão aí, mas com vontade política e gestão você consegue suplantá-os. Não são problemas que se consegue com uma vara de condão, chegar lá e bater, puf, e está resolvido…

Radar: Mas, o senhor há de convir que é inadmissível 320 mil pessoas pagarem esgoto sem ter esgoto?

Braga – E o Ministério Público qual foi a ação que já entrou contra isso? Eu entrei com uma representação no Ministério Público pra lutar contra isso…

Radar: Quando? Quando o senhor era governador?

IMG_3180Braga – Quando eu fui governador, eu fiz tudo pra que nós pudéssemos voltar, porque não sei se você sabe que, com a venda da Cosama, o Estado ficou excluído de investimentos em saneamento na cidade de Manaus, é proibido tem vedação. Nós só fizemos o Proama porque o Serafim fez comigo um acordo, junto com o Ministério Público e junto com o Governo Federal porque senão eu não podia ter colocado dinheiro público do Estado pra produzir água, e muito menos para esgoto. Porque a competência constitucional é municipal, o poder concedente é municipal. Agora a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do estado de São Paulo) é de quem? É da cidade de São Paulo, ou do Estado de São Paulo? É do Estado de São Paulo porque o Estado de São Paulo, o estado mais rico da federação não cometeu o erro que o Estado do Amazonas cometeu. Mas, isso são águas passadas, nós não vamos poder voltar pra trás pra resolver isso, não e? Então, agora o que se tem é estabelecer novas metas para essa Manaus saneamento e fazer com que eles cumpram e proibir de cobrar o que eles não fazem de serviço.

Nesse momento, Braga diz que só tenho direito a mais uma pergunta, porque tem muita gente esperando – e posso assegurar que tinha mesmo.

Radar: O que aconteceu entre Braga e Chico Preto?

IMG_3195Braga: (nesse momento ele faz uma pausa, olha pro teto, respira fundo)  Não sei! Tenho falado com amigos comuns, e perguntado, o que aconteceu? Sinceramente, respondendo a você, não sei…Eu só fiz o bem a Chico Preto em todas as oportunidades da minha vida. Eu, quando era secretário de obras, fui visitado pelo pai do Chico Preto e pelo tio do Chico Preto, que me pediram que eu recebesse um menino que morava em Miami e que estava voltando para Manaus, então eu o recebi e assim que conheci o Chico Preto. Coloquei Chico Preto pra trabalhar comigo, depois se elegeu vereador, depois se elegeu presidente da Câmara com o meu apoio, depois se elegeu deputado estadual, depois foi ser secretário estadual de ação social no meu Governo, e hoje ele é deputado e, Graças a deus, vai muito bem obrigado, Mas, porque ele mudou de opinião, isso não me pergunte que eu não sei.

Radar: O que tem de mentira ou verdade em algo que até determinados jornalistas usam pra bater no senhor que é o endividamento do Estado. O senhor endividou o Estado?

IMG_3153Braga – Se você pegar o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) você vai ver que o Amazonas é um dos Estados menos endividados do Brasil. É que quando as pessoas não fazem precisam arrumar alguma coisa pra falar mal dos outros. Mas, quem diz se o Amazonas  está endividado ou não são duas instituições, Secretaria Tesouro Nacional, STN, e Tribunal de Contas do Estado, os dois, eu tenho o relatório. Nos dois, o Amazonas é um dos Estados menos endividados do Brasil, portanto é bom que as pessoas se informem. Porque é tão comum a gente ver uma mentira virar verdade, não é? Só que contra fatos, documentos, não tem história, não tem conversa. O Amazonas é um dos Estados menos endividados do País, e ponto. Só que nos meus oito anos nós fizemos muito, eu construí 147 escolas, muitas de tempo integral e tudo com recurso próprio do Estado, construí 42 hospitais, tudo com recurso próprio do Estado, asfaltei mil quilômetros de estradas no interior, mil quilômetros, tudo com recurso do Estado. Agora, é verdade, eu tive que pegar dinheiro pra fazer a ponte, ela é uma ponte pro futuro, porque abre portas importantes olhando pro futuro, eu tive que fazer endividamento pra fazer o Prosamin, e eu não endividei mais nada o Estado. Ah! também pra fazer o Proama. E mais nada! Eu respondo com muita tranquilidade que o Amazonas é um dos Estados menos endividados do País e durante oito anos tenho muito orgulho de ter feito muita coisa pelo povo do Amazonas, tanto na capital, quanto no interior do Estado.

E o que era uma pergunta, se transformou em duas, e durante as despedidas se transforma em mais três, porque não dava pra não perguntar, como que num relance:

IMG_3266Radar: Braga e Omar, juntos ou separados?

Braga – Eu espero que juntos, se depender de mim, juntos.

Radar: E se não acontecer? Já que há sinais de que pode ser separado.

Braga – E se for separado? Paciência

Radar: Vai pra guerra assim mesmo?

Braga – Vou!

Texto: Any Margareth

Fotos: Zezinho Rodrigues