Enquanto faltam escolas, prefeitura publica no DOM gastos de R$ 29 milhões com aluguéis de prédios escolares este ano


fila escolasTomou conta da mídia local e até nacional, como por exemplo, o Jornal Hoje da Rede Globo de Televisão, nesta quarta-feira (07), o sofrimento de pais de alunos que passaram a madrugada nas filas em frente às escolas municipais e estaduais em busca de uma vaga para seus filhos. A “luta” por uma vaga na rede pública de ensino deixa claro à falta de escolas em número suficiente para atender a demanda, cada vez maior, de crianças em idade escolar, principalmente nos bairros periféricos, onde os pais não têm condições de arcar com os gastos de transporte público para que todos os filhos estudem em escolas distantes.  No ano passado, vereadores de Manaus denunciaram que 10 mil crianças ficaram sem estudar porque os pais não encontraram escolas para matriculá-las.

Na contramão dessa triste história de um sistema educacional que marginaliza socialmente (significa colocar a margem) crianças de famílias de baixa renda, a Prefeitura de Manaus publicou, no Diário Oficial do Município, edição 3321 (Edição Extra III), datado do dia 30 de dezembro de 2013, seu Quadro de Detalhamento de Despesas QDD/2014, na parte que trata da Secretaria Municipal de Educação, que gastará R$ 29 milhões com “locação de imóveis para funcionamento de escolas de ensino fundamental e de ensino infantil”.

O valor ainda é um pouco maior do que aquele que foi denunciado (R$ 28,2 milhões), no ano passado, pelo então subsecretário de Educação do município, Deuzamir Pereira, que acabou confessando que existiria na secretaria municipal de Educação “uma quadrilha”, com o fim de “assaltar o dinheiro da educação”, gente que teria enriquecido alugando imóveis  – essa situação existiria há 10 anos – que são utilizados como escolas municipais. Alguns desses imóveis não têm a menor condição de abrigar crianças. Isso custou o cargo ao subsecretário Deuzamir Pereira, que além de ter sido exonerado pelo prefeito Artur Neto, foi acusado de ter “surtado” e de que deveria “ir para um manicômio”.

O prefeito Artur Neto assumiu o compromisso de que essa situação seria resolvida e milhões das verbas da educação não seriam mais pagos aos proprietários desses prédios. Mas, levando-se em conta a publicação em Diário Oficial, pelo menos em 2014, essa situação permanecerá a mesma, com gastos de R$ 29 milhões, que continuarão indo para os bolsos dos proprietários desses imóveis. (Any Margareth)