Faltam até gaze e luvas: Peritos param trabalho de identificação dos corpos para ato de protesto


Está paralisado momentaneamente a identificação dos corpos dos detentos mortos no massacre nas unidades prisionais de Manaus ocorrido no último domingo (1). Isso porque os peritos oficiais do Amazonas realizaram, na manhã desta quinta-feira (5), um ato em protesto pedindo valorização da categoria e a melhoria de condições de trabalho, em frente à sede do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), na Avenida André Araújo, bairro Aleixo, zona Centro Sul de Manaus.

O médico legista do IML, Cleverson Redivo, afirmou que no dia das rebeliões e fugas, não haviam luvas e nem gazes. Ele conta que os peritos tiveram que requisitar dos hospitais os materiais para a realização de identificação dos corpos. O médico legista destacou que as necrópsias já foram concluídas, porém, os legistas estão com dificuldade nas identificações dos corpos dos detentos. “No Amazonas falta um sistema informatizado de identificação. Não há um cadastro de identificação dos presos, eles estão sendo reconhecidos por foto, e reconhecimento não é o mesmo que identificação”, disse Redivo.

De acordo com o vice-presidente do Sindicatos dos Peritos Oficias (Sinpoe-AM), André Segundo, a categoria pede a inclusão imediata da classe dos peritos Oficiais na Lei de reestruturação remuneratória da carreira da Polícia Civil nos moldes do Processo Judicial movido pela Associaçao de Peritos Oficiais do Amazonas (Apoeam), a destituição imediata dos diretores dos institutos e dos Departamentos de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e eleição imediata dos novos dirigentes através da lista tríplice escolhidos pelos próprios peritos, e a aplicação do Decreto Governamental com implantação da Leide Reestruturação do órgão Pericial em todo o Estado.

O vice-presidente ressaltou ainda a precariedade da estrutura e a falta de material para a realização do trabalho.

“No Instituto Médico Legal não tem o básico que são os reagentes. Quando tem uma grande catástrofe aparece de tudo, mas no nosso dia a dia o governo deixa faltar”, disse.O vice-presidente ressaltou que os demais corpos que estão no IML foram ‘deixados de lado’ para o atendimento das ‘vítimas’ do massacre do último domingo, porém, contra a vontade dos legistas que tiveram que atender os detentos para o governo mostrar serviço à população do Brasil que está com os olhos voltados ao descaso da gestão de José Melo (Pros).

Conforme André, atualmente no Estado, existem apenas 170 perito. “Como a própria Organização das Nações Unidas (ONU) indicou, o contingente ideal de peritos no Amazonas deveria ser quase três vezes mais, 500 profissionais”, explicou André. (Da redação do Radar)