Manaus Ambiental quer reajuste de 5,52% na tarifa de água, incluindo esgoto onde não existe


torneira-do-dinheiroA empresa Manaus Ambiental , que presta um péssimo serviço e ainda manda a conta, deixando bairros inteiros sem água durante dias, ou fazendo racionamento de água, com fornecimento muitas vezes apenas nas madrugadas – aí o povo é obrigado a virar morcego ou coruja passando as noite acordado pra encher tanques – quer aumentar o preço do seu desserviço. Ela requereu junto a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Estado do Amazonas (Arsam) – aquela que faz de conta que regula alguma coisa – um reajuste de 5,52% na tarifa de água e esgoto.

Dizendo amém

E a Arsam que, pelo jeito, só existe pra dizer amém (assim seja), aprovou o reajuste, incluindo a cobrança de taxa de esgoto onde não existe, em lugares onde crianças, em pleno século XXI ainda são hospitalizadas com diarreia por entrar em contato com dejetos que escorrem pelas ruas, os chamados esgotos a céu (inferno) abertos. E os cidadãos de Manaus têm que pagar pela cura de seus filhos, e ainda para a Manaus Ambiental continuar disseminando doenças, enquanto o Poder Público não acha “remédio” para essa situação deplorável e humilhante, e pra falta de vergonha na cara de quem trata o povo desse jeito.

Contrato

E para requerer o tal aumento no preço da tarifa de água e esgoto, a Manaus Ambiental alega que a correção anual está prevista em contrato firmado com a Prefeitura de Manaus. Mas, logicamente, jamais vai dizer que não cumpre as cláusulas do contrato como, por exemplo, as metas que deveriam ser atingidas pela empresa no abastecimento de água e na rede de tratamento de esgoto, e muito menos dos valores de investimentos que deveriam ser feitos. E a Arsam e a Prefeitura de Manaus, entra prefeito e sai prefeito, não cobram nenhuma das obrigações da empresa e dos direitos da população. As ameaças de quebra de contra – do tipo “essa empresa vai pegar o beco” ou “pegar os panos de bunda e ir embora de Manaus –  ficam apenas em matérias publicitárias e pose pra fotos. Jogo de cena!

Discurso repetido

Agora o pedido de reajuste da Manaus Ambiental está na Prefeitura que é quem dá a autorização para a cobrança. E, tal e qual os prefeitos anteriores, o discurso é o mesmo: “Está na Procuradoria Geral do Município (PGM) para análise jurídica”. Advinha qual vai ser o parecer? No mínimo aquela lambança de que está no contrato e tem que ser cumprido. No ano passado, foi a mesmíssima coisa, e em janeiro, foi dado o reajuste de 6,96% – o Radar até ficaria feliz de estar com defeito no sinal, prever errado e dar um fora homérico. Será?

Vai beber?

E, enquanto a Manaus Ambiental diz para o Tribunal de Justiça do Amazonas – e eles acreditam – que vai falir se não cobrar taxa de esgoto até onde não existe – e eles autorizam –, o que não falta é propaganda da empresa, em horário nobre, – enquanto isso falta dinheiro pra investimento – sobre a “inquestionável” qualidade da água potável distribuída pela empresa. Como o pessoal aqui do Radar já viu água pela cidade que tem cheiro, cor e sabor – muitas vezes com excesso de cloro e até meio barrenta – ao contrário do que determina a Organização Mundial de Saúde (OMS) de que a água tem que ser inodora, incolor e insípida, estamos pensando em enviar um copo d’água para os diretores da Manaus Ambiental com o devida proposta: “Vai beber?”