Melo diz que caos na saúde provocado pelo seu “reordenamento” foi “30 segundos de leseira”


ronaldo-e-melo-capa-1

Para que eu acreditasse que o fato realmente aconteceu, tiveram que mandar para o Radar o áudio da entrevista, dada esta semana, pelo governador professor José Melo à Rádio Tiradentes. Não que a fonte não fosse confiável, mas é que as declarações do governador são de causar total incredulidade. O governador classificou o tal de “reordenamento” que, há pouco tempo, começou a ser implantado no sistema público de saúde e que agravou ainda mais os problemas já existentes no setor, como “30 segundos de leseira” que ele teve.

E eu, fiquei ali, embasbacada, descrente até no que estava ouvindo. Como é que é? Pode o governador chamar uma ação tão séria do seu Governo e que causou tanta dor nos cidadãos dessa terra de mera “leseira”, meu povo? E ainda calcula que isso levou 30 segundos? Em que relógio? Só se ele contou os segundos no Big Ben, um dos maiores relógios do mundo.

E, enquanto o governador discorria sobre sua “leseira”, foi interpelado pelo entrevistador, Ronaldo Tiradentes. “Reconhece que errou, então?”, perguntou Tiradentes com a voz tranquila de quem está conversando sobre um assunto dos mais triviais , muito diferente do tom de indignação absoluta – aquele de alguém que baba de ódio – de quando está esculhambado com o prefeito Artur Neto.

Melo sequer respondeu à pergunta, apenas arrematou: “Como tudo na vida, a gente paga pelos pecados”. E determinou que o “preço” que ele pagou foi “desgaste pessoal e político”.

E do preço que a população pagou, não vão falar, não?, fiquei me perguntando cá com meus botões. E a morte de mais de 100 pacientes renais, não vai sequer ser citada na entrevista, nem que seja pra ele desmentir e acusar seus adversários políticos, como sempre faz? E as pessoas que ficaram com sequelas por causa da falta de cirurgias ortopédicas?, eles não vão comentar não? E o desvio de mais de R$ 100 milhões da saúde pública, não é um “preço” muito alto pago à corrupção e que deveria ser questionado?

E, num contraponto aos seus “30 segundos de leseira”, o governador falou dos milhões que ele afirma estarem sendo investidos em saúde pública, assim como nos avanços que seu governo tem conquistado na área de saúde. E, enquanto ouvia as declarações do governador, na minha mente só vinham as lembranças das denúncias diárias feitas ao Radar sobre a falta de atendimento médico, exames, medicamentos, cirurgias, atraso de salários dos servidores e etc,etc,etc. Lembrei também da frase usada no relatório de defensores públicos que fizeram inspeções nos hospitais: “atendimento medieval e negligência criminosa”.

E enquanto o governador falava, Tiradentes manteve um silêncio obsequioso. E me deu vontade de perguntar: “Será que acham que a gente é leso, é? (Any Margareth)