Melo e sua trupe de deputados receberam em eleição dinheiro das gestoras de presídio


Até a ministra Carmen Lúcia, segundo o jornal o Globo, manifestou durante sua visita a Manaus estranhamento sobre a “falta de cobrança do Governo do Amazonas sobre as terceirizadas responsáveis pela administração de penitenciárias no Amazonas”. Também salta aos olhos, – e ouvidos, né gente? – o silêncio não só do governador e de sua cúpula da segurança pública, como também dos parlamentares de sua bancada de apoio no Parlamento estadual e federal sobre os desmandos e desmazelos dentro dos presídios do Estado em comparação com os valores recebidos por essas empresas.

Será que a explicação para os políticos locais terem “comido abiu” estaria na “bondade” feita pelas empresas que administram presídios de andarem distribuindo a rodo dinheiro para o “bom e humilde” governador e sua trupe de deputados estaduais e federais?

O que se vê no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no link da prestação de contas de campanha, é que de forma, no mínimo ardilosa, aparecem nomes de empresas diferentes, mas, não se engane, todas as empresas são controladas respectivamente pelo presidente da Federação do Comércio (Fecomércio) do Ceará, Luiz Gastão Bittencourt, e por seu filho, Luiz Fernando Bittencourt. Os dois empresários estão por trás de uma rede de 12 empresas que controlam direta ou indiretamente até hoje a gestão terceirizada de presídios no Amazonas. De 2010 até hoje, essas empresas já receberam R$ 1,1 bilhão.

Uma dessas empresas, a Serval, conforme matéria do jornal O GLOBO, foi usada em 2014 para bancar com R$ 1,2 milhão a campanha do atual governador do Amazonas, José Melo (PROS). A outra, Auxílio Agenciamento de Recursos Humanos e Serviços Ltda, doou outros R$ 300 mil para a campanha à reeleição do governador.

Trupe evangélica   

Num dos casos de doação de dinheiro na campanha eleitoral de 2014, um dos principais apoiadores do governador José Melo, o deputado evangélico Silas Câmara, do PSD de Omar Aziz, conseguiu dinheiro não só para si (R$ 200 mil), mas também para sua mulher a bispa Antonia Luciléia Cruz Ramos Câmara (R$ 400 mil), candidata a deputada federal e sua filha Gabriela Ramos Câmara (R$ 150 mil), candidata a deputada estadual, ambas disputando eleição lá pelas bandas do estado do Acre. Os três, juntos tiveram em seus cofres de campanha R$ 750 mil doados pela Umanizzare, empresa contratada pelo Governo do Estado para administrar cinco presídios no Amazonas. Num deles, o Compaj, ocorreu a chacina de 56 presos.

Junto com seus irmãos, os pastores Jonatas e Samuel, Silas Câmara compõe a tríade que comanda a Assembleia de Deus no Amazonas e, nas eleições de 2014, eles realizaram  cultos” onde se falava mais o nome de Melo do que de Cristo para seus “irmãos da igreja” com pedidos de votos em meio a orações – e aos brados.

Coincidentemente – será? -, após a gorda doação de campanha à sua família, Silas Câmara tem defendido e articulado a aprovação de Leis que, segundo jornalistas da mídia nacional, seriam de interesse da empresa Umanizzare, como por exemplo, a redução da maioridade penal, o que significaria o aumento da população carcerária – não importando a idade – e mais dinheiro nos cofres da empresa gerenciadora de presídios.

“Fora Dilma e Fica Melo”

Outro nome que aparece na lista de doações de campanha de administradoras de presídios é aquele intitulado nacionalmente como “líder do Fora Dilma”, o deputado federal empresário Pauderney Avelino (DEM). Ele só demonstrou fervor igual ao que teve na campanha de Melo durante a campanha para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff,

Pauderney também faz parte da turma do “Fica melo”, defendendo a permanência do governador na Chefia do Executivo estadual, mesmo com todos os escândalos, de compra de votos a desvio de dinheiro da saúde pública – com a presidente Dilma bastou umas tais de “pedaladas”.  A mesma empresa que doou a Melo, a Auxílio Agenciamento de Recursos Humanos e Serviços Ltda, também doou a Pauderney Avelino R$ 400 mil.

O “ambientalista” e o Vice-presidente

E ninguém menos que o candidato governista à Mesa Diretora do Legislativo estadual, recém-eleito vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), deputado Abdala Fraxe (PTN), também está na lista dos parlamentares eleitos com a ajuda financeira de gerenciadora de presídios.

Fraxe recebeu 200 mil da Auxílio Agenciamento de Recursos Humanos e Serviços Ltda, a mesma empresa que deu dinheiro para Melo e Pauderney. E ainda sobrou grana para a Auxílio e Agenciamento doar para mais um parlamentar bancado pelas contratadas do Governo para mandar – e desmandar – nas penitenciárias, o deputado Orlando Cidade.

Cidade é aquele que esculhamba ambientalistas, chegando a “babar de raiva”, reação semelhante apenas quando algum colega de Parlamento critica o governador José Melo. Como presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa deu ares de legalidade a um projeto ambiental para beneficiar a si próprio e após ter pescado ilegal apreendido pelo Batalhão Ambiental, ligou para o Melo denunciando os policiais. A empresa que controla presídios no Amazonas o “auxiliou” com R$ 150 mil.

O Radar não dará destaque para valores infinitamente menores e, diga-se de passagem esquisitíssimos, oficialmente declarados nas prestações de contas de campanha de outros dois deputados governistas. Mas também não poderia deixar de citá-los, né mesmo gente! São eles, o deputado PM Platiny Soares (R$ 632) e Augusto Ferraz (R$ 395).

O policial Platiny, andou posando de oposição a Melo e o acusando de comandar um Governo “cheio de corrupção” , ganhou um cargo na Mesa Diretora da Assembleia e até agora não disse uma palavra sobre o bilhão recebido pelas empresas que gerenciam presídios, onde policiais semelhantes a ele, têm que servir de agentes carcerários. (Any Margareth)