Morre músico Paulo Perrone, quase 3 anos após sofrer ‘saidinha bancária’


Depois de resistir por quase três anos contra as lesões neurológicas fruto de tiro na cabeça, Paulo César Perrone morreu neste sábado (28). Músico da banda de forró Estakazero, ele foi vítima de “saidinha bancária” em julho de 2011, no Caminho das Árvores, em Salvador.

“Só resta a dor e a saudade. Meu filho nunca fez nada a ninguém”, lamenta a mãe, Lúcia Roriz. Ela conta que a morte foi registrada por volta das 2h da madrugada, no Hospital das Clínicas. Por volta das 9h, o corpo estava para ser liberado do Instituto Médico Legal (IML). O enterro vai acontecer no cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, às 16h.

Segundo Roriz, Perrone deu entrada às 18h na unidade de saúde porque teve um pico febril e sofreu parada cardíaca Ele esteve internado desde outubro, chegou a ficar na UTI, mas já se tratava em casa desde o dia 6 deste mês. “Da última vez [internamento], ele ficou muito debilitado. Chegou em casa e melhorou bastante”, relata a mãe.

Tratamento
Perrone deu entrada no Hospital Geral do Estado (HGE) no dia 27 de outubro, com quadro de convulsão. Ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Alayde Costa e, em seguida, para o Hospital Espanhol. Dois dias depois, boletim médico divulgado pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que músico estava com “novo processo de infecção e que necessitava de ventilação mecânica”.

O baterista, que atuava na banda de forró Estakazero, estava se recuperando de sequelas neurológicas causadas pelo tiro na cabeça. Antes do internamento, o tratamento dele era feito na residência da família, na modalidade “home care”.

Condenação
Os três suspeitos de roubar e atirar no baterista, em julho de 2011, foram condenados a 20 anos de prisão em regime fechado no julgamento realizado no dia 14 de agosto de 2012, na 8ª Vara Criminal, em Salvador.

O juiz Freddy Pitta Lima considerou os três homens denunciados à Justiça culpados pelo crime de roubo qualificado contra o músico. Os três foram direcionados para a  Penitenciária Lemos Brito.

Inicialmente, a pena dada aos réus foi de 30 anos, mas houve a redução de um terço da condenação máxima para esse tipo de crime e a sentença final foi de 20 anos de prisão em regime fechado. Os suspeitos do crime foram presos após a divulgação das imagens do banco, em agosto de 2011.

Sequelas
De acordo com o neurocirurgião Márcio Brandão, chefe do serviço de neurocirurgia do Hospital Geral do Estado (HGE), a lesão que acometeu Perrone transfixou a linha média da cabeça, chamada de fronto-temporal bilateral.

“A lesão pegou as duas áreas da cabeça. Ele ficou em coma induzido por 35 dias. A chance de vida quando ele chegou ao hospital era baixa, ele tem hoje uma sequela neurológica importante. Ainda não consegue interagir, reage a alguns estímulos com os olhos. Ele melhorou, mas ainda está longe do que a gente deseja. O trabalho de reabilitação é lento, mas a chance existe. Ele é jovem, tem ido devagar, mas está evoluindo”, afirmou, na ocasião, o médico, que operou o músico enquanto ele esteve internado no HGE e o acompanhou com visitas mensais.

Crime
No dia 19 de julho de 2011, Paulo César Perrone Júnior esteve em uma agência do Bradesco, em um centro empresarial na região do Iguatemi, em Salvador. Ele passou 45 minutos dentro do banco. “Ele foi conversar com a gerente dele porque ele ia viajar para a Espanha com a namorada. Ele havia tentado sacar o valor das passagens e não conseguiu no caixa eletrônico, por isso teve que sacar R$ 3 mil na boca do caixa”, relatou a mãe, Lúcia Roriz.

As investigações da polícia e as imagens internas do banco mostram que Perrone era observado por um dos suspeitos do crime de dentro da agência. De acordo com a polícia, ele foi seguido por outros dois integrantes da quadrilha e abordado perto do banco. Dois tiros foram disparados contra o carro do músico quando o veículo ainda estava em movimento. Um tiro atingiu o vidro de trás do automóvel e o outro a cabeça do baterista. Paulo César Perrone Júnior foi socorrido pela Polícia Militar e levado para o Hospital Geral do Estado (HGE).