No mundo do faz de conta


É desalentador ver que casos como as denúncias de abuso sexual de crianças e adolescentes feitas contra o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, fazem a gente se sentir vivendo num mundo do faz de conta, num mundo aparente, quase paralelo à realidade, onde muita coisa não é o que se vê. E, qualquer ser pensante, se sente subestimado em sua inteligência – um leso mesmo no pior sentido da palavra.

Segredo

E o desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), João Mauro Bessa, negou acesso a dois processos contra o prefeito Adail Pinheiro para a Comissão parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Federal que apura casos de abuso sexual de crianças e adolescentes em todo o País. O acesso aos autos dos processos por dois advogados designados pela comissão, segundo a relatora Lilian Sá, teria ficado acertado em acordo feito anteriormente entre a CPI e o TJAM. O desembargador argumentou que é de “suma importância para o término das investigações o sigilo judicial”. Numa realidade em que meninas foram expostas ao abuso, ao medo, a vergonha e ainda são chamadas de “mentirosas caluniadoras”, o sigilo judicial é importante pra quem mesmo?

MP 2014

E o promotor do Ministério Público, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Inteligência , Investigação e Combate ao Crime Organizado (CAO-CRIMO), Fábio Monteiro, seis anos depois da Operação Vorax, realizada pela Polícia Federal, decidiu ouvir o prefeito Adail Pinheiro, sobre as “atuais denúncias de abuso de menores”. E as denúncias de anos atrás não valiam é? As menores não foram ouvidas por quê? E o que aconteceu com todo o material da investigação feita pela PF que foi entregue ao Ministério Público?

CAO-CRIMO 2012

E em 2012, o mesmo Centro de Apoio Operacional de Inteligência, Investigação e Combate ao Crime Organizado colocou sob suspeição 17 prefeitos do interior do Estado, segundo o promotor Fábio Monteiro, porque haveria indícios de diversas irregularidades cometidas por esses gestores. E esses indícios foram tornados públicos através de entrevistas em tudo que foi veículo de comunicação. Olha que as tais irregularidades não chegavam nem perto do que a Polícia Federal, após a Operação Vorax, disse ter descoberto em Coari com a prática de inúmeros crimes e milhões de reais desviados dos cofres públicos – sem falar no agenciamento de menores para a prostituição que surgiram como que por acaso nas receptações telefônicas. . Então, dá pra dizer porque, no caso de Adail Pinheiro, ninguém fez alarde na imprensa durante seis anos? Todo mundo virou estátua no reino do faz de conta?

Proibido sussurrar 

E no caso da Operação Estocolmo está todo mundo mirando no nome de um deputado estadual, mas nadica de nada de pelo menos sussurrar o nome de empresários do ramo da educação e da comunicação, e muito menos de irmãos de políticos que estão na lista dos investigados. Por que será, hein?

Saída Estratégica

E faz de conta que a gente acredita que no caso de Adail Pinheiro ter driblado a imprensa, no dia do seu depoimento no MPE,  sendo levado por uma “saída de emergência”, a culpa foi dos membros da segurança do órgão e não por determinação que veio de cima, ou seja, os seguranças do MP agiram por sua conta e risco, sem receber ordem de ninguém. Jura de pé junto?

Vida real

E chega hoje, sábado (01), em Coari, equipe da TV Amazonas para continuar mostrando o que, infelizmente, acontece na vida real da rica e pobre Coari, rica em recursos e pobre em investimentos na qualidade de vida do seu povo e no respeito por sua gente. Triste realidade!

Feliz realidade

Mas o povo de Coari, cidadãos de bem que não se amedrontam com bicho-papão do mundo de faz de conta, decidiram partir pra ação e ir pras ruas no dia 05 de fevereiro em ato público em defesa de suas crianças e adolescentes. A mobilização não para um minuto sequer pelas redes sociais em mensagens como esta:

cartaz