Nova estratégia de Adail: o que era prova “fabricada” virou prova “requentada” (ouvir áudio)


valcione tavares

Os secretários de Adail Pinheiro assumiram um novo discurso após o segundo domingo em que o Programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, veicula reportagem sobre denúncias de abuso sexual de crianças e adolescentes contra o prefeito de Coari. Na semana passada, após a primeira matéria sobre o assunto, as alegações eram de que tudo não passava de “matéria encomendada com provas fabricadas por adversários políticos”. Agora, após a matéria do Fantástico deste domingo (26), o discurso é que a reportagem “não traz nenhum fato novo”, só provas “requentadas”, fazendo referência a interceptação telefônica gravada pela Polícia Federal, durante a Operação Vorax em 2008, reproduzida ontem pelo Fantástico, com um diálogo em que o então secretário de Administração, Adriano Salan, oferece “um bebê” para “o chefe”, prefeito Adail Pinheiro – e desde quando uma escuta telefônica deixa de ser prova só porque não é dos dias atuais?

Essa nova estratégia de desqualificação das denúncias, antes fabricadas e agora requentadas, está visível em texto publicado num dos principais blogs de Coari, o “Coari em Destaque”, intitulado “Nenhum fato novo no caso do prefeito de Coari”, do blogueiro-cientista político Daniel Maciel, secretário da Casa Civil, durante o ano passado, e agora Secretário de Comunicação, após reforma administrativa feita pelo prefeito. Fazendo coro com o blog, a mesma opinião foi manifestada, através da rádio Tiradentes de Coari – com horários pagos pela Prefeitura de Coari-, pelo radialista e secretário de Comunicação de Adail Pinheiro, até dezembro do ano passado, Valcione Tavares, atual empresário do ramo de Comunicação em Coari, com a recém-criada empresa VTR Comunicações.

Os secretários de Adail Pinheiro utilizam como prova de inocência do chefe, além de ter ganhado a eleição em 2012, o fato de não ter qualquer decisão judicial sobre sua culpabilidade, mas nem de leve tocam nas declarações dadas pelo conselheiro do CNJ, Gilberto Valente Martins, sobre a apuração dos motivos para que desembargadores se julguem impedidos de relatar os processos contra o prefeito Adail Pinheiro, e para que esses processos estejam engavetados – ou seria melhor dizer encaixotados – há quase seis anos. Eles (secretários) também passam ao largo das declarações dadas pela promotora de Justiça, Leda Maria Albuquerque sobre os depoimentos de “novas vítimas em relação a um investigado antigo (Adail)” e da resposta dada pela promotora ao ser perguntada pela jornalista “se há dúvida sobre a ação do prefeito quanto às acusações”. A promotora responde: “por tudo que já ouvi até aqui, eu digo que não”. (Any Margareth)

  • Esses homens se valem da morosidade da justiça para justificarem a inocência do prefeito em frente a graves denúncias. Certamente estão trabalhando pelo pão que a prefeitura paga para eles. Nada mais do que natural, mesmo que para isso prevaleça o interesse particular sobre o público. Fazem vista grossa diante dos fatos que falam por si. Ainda bem que tem alguém que não se subjuga e está fazendo o que muitos deveriam fazer, porque estão acostumados com esses crimes. é tão natural em Coari falar que o prefeito é pedófilo, que o prefeito é pirento, que o prefeito é corrupto, que o prefeito gosta de aparecer em obras que foram financiadas pelo governo federal ou estadual como se fosse dele mesmo. Será que todo mundo resolveu caluniar o prefeito?