Paciente do HUGV espera desde o ano passado por uma biópsia; equipamentos sumiram (ouvir áudio)


A podóloga Célia Lemos, 40, está numa dolorosa espera desde janeiro de 2016, para realizar uma biopsia no colo do útero, no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul. Além da angústia de não saber qual será o diagnóstico de um problema no útero, Célia ainda teve que ouvir o absurdo de que os instrumentos cirúrgicos sumiram e não há previsão para a compra de outros – e cadê o povo que adora aparecer com lacinho na lapela no tal do Outubro Rosa? Com voz chorosa, Célia Lemos conta sobre a situação absurda que está tendo que enfrentar.

A última tentativa de Célia, ocorreu há pouco mais de duas semanas. Ao chegar ao HUGV para ser submetida ao procedimento, ela foi informada de que o mesmo não seria possível porque não havia material. As pinças utilizadas nos procedimentos ginecológicos do HUGV haviam sumido.

“O que o funcionário do hospital falou foi que o material de lá é levado para ser esterilizado em Iranduba, e que esse material sumiu. As pinças usadas nos exames ginecológicos, um desses (exames) seria o que eu ia fazer, sumiram”, conta a paciente.

Ainda no hospital ela foi informada de que não há previsão para ela remarcar o procedimento, devido à falta de material e também a um processo licitatório que está sendo realizado para repor o estoque do material que desapareceu.

Indignada com a demora para realizar o exame e o sumiço dos equipamentos médicos, Célia fez contato com a imprensa para denunciar e afirma que nos próximos dias deverá procurar o Ministério Público Federal no Amazonas, para denunciar o caso e pedir providências sobre o mesmo.

“Não é apenas eu que me encontro nessa situação. Há outras pessoas que também estão dependendo deste exame ou de outros e que não sabem o que fazer, por que não tem recursos para custeá-los. Por isso vou denunciar ao Ministério Público”, destacou.

Sem resposta

O Radar passou mais de 24h em contato com a assessoria de comunicação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), para prestar os devidos esclarecimentos sobre a denúncia e sobre fatos como o material desaparecido, a licitação para a aquisição de novos equipamentos, bem como a situação de pacientes como Célia Lemos, entretanto, não houve qualquer explicação até às 10h30 desta quarta-feira (14), horário de fechamento da matéria.

Foto: Erik Oliveira