SOS orgulho caboclo!


orgulho-caboclo

Foto: manaus-videos.blogspot.com.br/Fabíola cruz

Por Any Margareth

Esses dias têm sido terríveis para quem sempre teve um orgulho imenso de ser amazonense – qualquer semelhança com um jingle institucional de um governo passado é mera coincidência. Esse sentimento tem o tamanho de uma terra gigantesca em dimensões, rios, florestas, riquezas, belezas e exemplos de homens honrados, reconhecidos nacionalmente pela retidão de caráter, pela luta em favor de causas nobres – nem vamos citar nomes para não cometer a injustiça do esquecimento de algum deles. Mas, de repente, nosso orgulho é ferido, quase que de morte, quando se vê o nome do Amazonas se confundir com a história de homens envolvidos em denúncias de abuso sexual de crianças e adolescentes, vendendo crianças como se vende um animal: “É um bebê, chefe. Que sorriso lindo branquinho, branquinho” (diálogo em escuta telefônica entre o secretário Adriano Salan e o prefeito Adail Pinheiro).   – afinal são cavalos de raça que são avaliados por sua qualidade genética e idade observando os dentes. E surgem outras operações policiais que apontam o envolvimento de mais políticos e empresários neste tipo de crime, algo abominável porque não fere só o corpo, fere a alma. Quem já conviveu com crianças abusadas sexualmente sabe que o curso de suas histórias de vidas está modificado para sempre, na maioria das vezes para pior, por sentimentos de humilhação, vergonha, desconfiança e muitas vezes ódio – infelizmente tem que ser lembrado que estudos feitos por psiquiatras forenses constataram que a maioria dos psicopatas assassinos foi vítima de abuso quando criança.

Impedidos

E se há homens acusados desse tipo de crime, também fere nosso orgulho ao saber de homens que se julgam impedidos de julgá-los por “questões de foro íntimo”. Como foro íntimo tem a ver, segundo as normas jurídicas, com “o juízo da própria consciência, ali onde cada um julga seus próprios atos e suas consequências possíveis”, então como julgar o nível de consciência de quem se julga impedido?

Vidas encaixotadas

E tudo vai ficando pior, e a gente vai se afundando na poltrona diante da televisão, com o orgulho se apequenando sob toneladas de vergonha, ao ver imagens de processos que tratam das vidas desses pequenos cidadãos do amazonas, anos após anos, dentro de caixas de papelão, resumidas a poeira e traça. E isso ainda tornado público por uma Justiça que vem de fora – ler Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – fazer correição – ato ou efeito de corrigir- nossa própria Justiça.

Sem exceção

E nessa história nada nobre para o nosso Amazonas, um Estado que tem sido mostrado nacionalmente como incapaz de proteger suas crianças, pior ainda é ver que há uma imprensa que emudece, gente que também tem seus “motivos de foro íntimo”, e fere o orgulho de ter uma profissão quase que de fé nos homens, na humanidade e na possibilidade de um mundo melhor.