Vidal Pessoa: 3 decapitados e um queimado após amontoarem 280 homens numa cadeia decrépita


Essa madrugada, Manaus se viu às voltas com mais um ato de selvageria. Detentos que foram levados para o Raimundo Vidal Pessoa, um presídio desativado e decrépito, mataram quatro outros presos, três decapitados e um queimado. “Só podia dar nisso. Os presos que viriam para o Vidal Pessoa eram só os do CDP (Centro de Detenção Provisória), cerca de 70, no máximo 75 homens. Mas, decidiram trazer também presos do IPAT (instituto Penal Antônio Trindade) e da UPP (Unidade Prisional do Puraquequara), amontoando 280 homens num vão, sem portas, lá na área da chamada capela de um presídio caindo aos pedaços ”, conta ao Radar uma fonte da polícia.

O policial lembra que nem precisa ser da “inteligência do Governo” – aquela que nunca prevê nada e sabe de nada, né gente? – para saber que os presos do presídio do Puraquequara são de maior periculosidade do que aqueles que estavam no Centro de Detenção Provisória, como diz o próprio nome presos provisórios. “

Será que não dava pra fazer uma triagem pra saber quem é quem e não amontoar esses homens juntos? , questiona a fonte, perguntando ainda: “Se o secretário – de Administração Penitenciária, Pedro Florêncio – disse inclusive em entrevista à imprensa que foram levados pra Vidal Pessoa presos ligados ao PCC (facção Primeiro Comando da Capital) que estavam jurados de morte, como é que levam pra lá detentos da FDN (Família do Norte), facção rival que chacinou presos no Compaj?. Ele arremata: “parece até proposital uma coisa dessas né mesmo?

E pra piorar a suspeição dos atos da Secretaria de Administração Penitenciária, na transferência de presos para a Vidal Pessoa, o policial ainda conta que os presos do CDP foram levados de cueca, sem direito a sequer uma muda de roupa, enquanto que os presos do IPAT e da UPP foram vestidos, com seus pertences e mochilas. “Se queriam resguardar a vida dos presos da detenção provisória como é que levaram esses homens praticamente nus, enquanto que os outros puderam levar coisas onde podiam esconder algum tipo de instrumento que servisse pra matar?”, indaga mais uma vez

Sem luz e sem água  

E o relato feito pela fonte da polícia sobre a situação dentro do presídio Vidal Pessoa é de um lugar onde nem animal sobreviveria – ou seria melhor dizer lugar próprio pra um matar o outro?

“Esses homens não têm sequer água e comida. O presídio está às escuras. As celas não têm condições de manter os presos separados. Eles estão amontoados em um vão aberto, na área da capela (igreja) da cadeia. Aquele lugar está pior do que um chiqueiro. Eles não têm nem mesmo como defecar – não vou escrever a palavra que ele usou mas vocês sabem qual é, né gente?”, diz o policial, que mesmo acostumado com a violência com a qual tem que conviver no trabalho diário, demonstra estar sensibilizado com a situação imposta àqueles homens.

Ele conta que o Estado – ler Governo de Melo e sua cúpula da Segurança Pública – não está dando direito sequer desses presos receberem visita de seus advogados, muito menos da família. E me conta algo que, confesso, me deixa às lágrimas e que me faz ter, quem sabe, o pior domingo da minha vida como repórter, já que tenho visto até mesmo colegas da imprensa defendendo o assassinato de presos e trucidamento desses homens: “E lá não tem só os monstros que todo mundo diz. Tem também meninos de 18 e 19 anos que foram atraídos pelo mundo das drogas. Vão sair de lá igual os monstros que estão lá dentro”. (Any Margareth)