9 em cada 10 criticam novo auxílio e maioria diz faltar dinheiro para sobreviver

Mulher com filho no colo espera em fila da Caixa Econômica<br /> Jardiel Carvalho/ Folhapress

Mulher com filho no colo espera em fila da Caixa Econômica
Jardiel Carvalho/ Folhapress

Quase 9 entre cada 10 brasileiros avaliam que o valor do novo auxílio emergencial pago pelo governo federal é insuficiente, segundo pesquisa Datafolha realizada nesta semana, entre os dias 11 e 12 de maio.

Significativamente menor na comparação com o que foi disponibilizado em 2020, a nova rodada do auxílio, prevista para o período entre abril e agosto, é considera insuficiente por 87% dos brasileiros com mais de 16 anos.

O novo auxílio pagará entre R$ 150 e R$ 375 a 45,6 milhões de beneficiários. O gasto total previsto é de R$ 44 bilhões, equivalente a apenas 15% do que foi desembolsado em 2020.

No ano passado, o auxílio emergencial vigorou entre abril e dezembro, somando R$ 293 bilhões destinados a 66 milhões de brasileiros. As parcelas iniciais foram de R$ 600, depois reduzidas a R$ 300.

Entre os que receberam o auxílio em 2020, quase 90% consideram o valor deste ano insuficiente. Segundo o Datafolha, menos da metade (49%) das pessoas que receberam o auxílio no ano passado o fizeram neste ano.

Economistas das áreas de renda e desigualdade consideram que o governo exagerou na dose do auxílio emergencial em 2020 e acabou sem munição neste ano —marcado por nova onda de infecções e mortes e pela falta de vacinas que poderiam permitir o retorno pleno da atividade econômica.

A análise é reforçada por dois indicadores. O primeiro é a captação líquida da poupança, que atingiu R$ 166,3 bilhões em 2020, a maior da série histórica do Banco Central. O segundo é a inflação, sobretudo de alimentos, que disparou no ano passado e seguiu alta neste primeiro trimestre, indicando uma elevação de preços decorrente do maior volume de moeda em circulação.

Com o fim abrupto, no início deste ano, do auxílio emergencial robusto de 2020, o efeito sobre os mais pobres foi imediato. Houve súbito aumento da taxa de pobreza e o encolhimento da chamada classe C.

Segundo dados da FGV Social, o Brasil tem hoje 35 milhões de pessoas na pobreza extrema, ou 16% da população vivendo com menos de R$ 246 ao mês. Em 2019, eles somavam 24 milhões, ou 11% do total.
Desde agosto do ano passado, ápice do pagamento do auxílio emergencial, quase 32 milhões de pessoas deixaram a classe C (renda domiciliar entre R$ 1.926 e R$ 8.303) em direção às D/E ou à miséria.

O Datafolha também aferiu que 55% dos brasileiros consideram insuficiente ou muito pouco o que eles e seus familiares ganham atualmente para sobreviver.

O percentual salta a 71% entre aqueles com renda familiar mensal até dois salários mínimos (R$ 2.200) —e que constituem a maioria (57%) das famílias brasileiras, segundo o perfil da amostra do Datafolha.