A Bíblia distorcida do pastor Malafaia que veio ao Amazonas pregar contra o STF

Foto: Reprodução Facebook

O avião oficial do presidente Messias Bolsonaro que não serviu para trazer oxigênio para salvar amazonenses de morrerem asfixiados, em janeiro deste ano, trouxe ao Amazonas nessa quarta-feira (18), em meio a já gigantesca comitiva presidencial, o pastor evangélico, Silas Malafaia, aquele líder religioso que não cobra menos que R$ 14 mil para fazer uma pregação em algum evento religioso pelo País – a palavra de Deus, nesse caso não é de graça não tá!

Silas Malafaia é presidente da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo e, como é de conhecimento público, tem atuado como conselheiro do presidente Messias Bolsonaro.

O pastor evangélico participou da entrega dos imóveis do programa habitacional da Prefeitura de Manaus “Cidadão Manauara 2” e, visivelmente, se escalou para fazer coro com Bolsonaro nos ataques aos ministros da maior corte de justiça do País, o Supremo Tribunal Federal (STF).

 “Supremo poder é o povo e não caneta de ministro do STF”, disparou Malafaia, esquecendo de explicar de que povo ele está falando, já que se alguém do povo não concordar com as opiniões “supremas” do pastor Malafaia, passa a ser tratado com xingamentos como imbecil, idiota, estúpido e esquerdopata – segundo grupos de direita esse tipo de indivíduo tem uma doença grave que é a esquerdopatia.

Parece que na Bíblia do pastor evangélico não vê qualquer problema em se tratar com desrespeito e xingamentos os semelhantes. O mandamento de “amar ao próximo como a ti mesmo” deve não existir para Malafaia, assim como o ensinamento de Cristo de “não julgar para não serdes julgados”.

Malafaia se acha no direito de julgar e condenar a quem bem entender, como faz com os homossexuais comparando-os aos pedófilos. Mas que ninguém siga seu exemplo e se arvore em julgá-lo por ter sido indiciado pela Polícia Federal (PF) por lavagem de dinheiro e participação num esquema de corrupção ligado aos royalties da mineração. O pastor “se locupletou com valores de origem ilícita”, diz relatório da PF.

Silas Malafaia que se autointitula um “homem de Deus” disse com frieza nada cristã não achar que 400 mil mortos – agora já são 572 mil mortos – por Covid-19 podem ser classificados como catástrofe. Ele já classificou a pandemia de “farsa” e disse que “ideologizaram a pandemia”.

Mas, estranho o pastor Malafaia criticar uma suposta “ideologização da pandemia”, e não ver nada demais quando ele politiza a religião, já que se presta a servir diuturnamente ao político Messias Bolsonaro e não a Deus e a Palavra.

Alguém deveria perguntar se na Bíblia do pastor Malafaia não está escrito: “Dai de Deus o que é Deus e de César o que é de César”, num claro posicionamento de Jesus aos fariseus para que não unissem o que é sagrado com o que é mundano, pra não confundir igreja e Estado, pra manter separados interesses políticos de preceitos religiosos, um fundamento bíblico que o pastor não tem o menor pudor de desrespeitar.