A “burrice” do povo de Coari e a peia “cavalar” no governador


Quem chama o povo de Coari de “burro” nas redes sociais por ter escolhido nas urnas permanecer com o grupo do ex-prefeito Adail Pinheiro a frente da administração municipal não sabe o que aconteceu por lá.

A história é longa, mas vou tentar explicar num breve relato, reproduzindo as palavras ditas por um cabeleireiro e uma empregada doméstica – para quem preferir, chamo de secretária do lar – com os quais conversei nos últimos dias em que estive em Coari, durante a eleição suplementar que chegou ao fim nesse domingo, dia 5 de dezembro, com a vitória de Keitton Pinheiro (Progressistas) sobre candidato do governador Wilson Lima, Robson Tiradentes, ambos do PSC

Eles não usaram exatamente as mesmas palavras, mas o raciocínio e a argumentação foi a mesma. Eles lembraram que a oposição, nos últimos anos, já teve duas vezes a oportunidade de riscar a família Pinheiro da história de Coari, quando dois adversários de Adail Pinheiro chegaram à chefia do Executivo.

Mas as administrações foram desastrosas! Um exemplo disso, é que os servidores públicos passavam meses com salários atrasados e têm décimos terceiros do funcionalismo público que não foram pagos até hoje, isso sem falar aqui sobre problemas em outras áreas da administração pública, como saúde, educação e infraestrutura.

Mas, vai haver quem pergunte: por que um cabeleireiro e uma empregada doméstica, estariam tão preocupados com os salários do funcionalismo público? Fácil entender quando a gente lembra que a economia da maioria dos municípios do interior do Estado gira em torno dos salários do funcionalismo público que mantém o emprego e a renda de vários outros segmentos, inclusive os ganhos do cabeleireiro e o salário da empregada doméstica.

Eles me lembram que estamos no início de dezembro e o 13º já foi pago. E quando se trata dos profissionais da educação, foram pagos 13º, 14º, 15º e 16º. Então, dá pra chamar o povo de Coari de burro por escolher quem mantém a economia do município estável e o dinheiro circulando?

Fico ainda mais surpresa quando, de repórter viro entrevistada, e tanto a empregada doméstica quanto o cabeleireiro perguntam quantos empregos a Rádio Tiradentes gerou em Coari e qual foi o benefício de ter essa rádio no município? Eles mesmo respondem que a população de Coari não ganhou nada dos Tiradentes, que somente têm defendido seus próprios interesses, ocupando um terreno que é do patrimônio do município onde seria construída uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e durantes anos, em administrações anteriores, ganhando muito dinheiro com contratos com a prefeitura de Coari, como por exemplo, com aluguéis de carretas de som.

Pergunta semelhante é feita quando se fala do governo de Wilson Lima. Quer dizer que o governador descobriu somente este ano e, durante eleições suplementares, que Coari precisava de ranchos, cartões de auxílio de R$ 150 reais? Depois de anos pedindo ajuda pra conseguir policiamento, diante da violência que assola Coari, o governador decidiu mandar policiais para o município que serviam para tudo, menos pra dar segurança à população, como por exemplo servir de escolta armada para o candidato dele a prefeito de Coari e até para familiares.

Esses e outros questionamentos feitos por simples cidadãos trabalhadores de Coari me mostram que de burro o povo de Coari não tem nada. Cada um sabe onde o sapato aperta, diria minha saudosa e sábia mãe. O povo de Coari só escolheu o que acha que é melhor pra si, já que são os cidadãos de lá que sentem na pele a consequência de suas escolhas. Isso é exatamente o que faz a população de Manaus ou de qualquer outra cidade quando escolhe o prefeito.

O governo de Wilson Lima e sua cambada é que juravam que ali só tinha besta, por isso levaram uma surra “cavalar” no lombo, que vai ficar na história política do Amazonas.