A campanha mais suja de todos os tempos

Levando em consideração o que tem acontecido nos últimos dias, a campanha eleitoral do próximo ano será uma das mais sujas de todos os tempos, mais suja até do que as últimas eleições presidenciais onde, hoje se sabe, foram pagas empresas que através de sistemas automatizados inundaram as redes sociais com as chamadas fake news. Há dois dias, segundo matéria do jornal Folha de São Paulo, o WhatsApp enfim admitiu que a eleição presidencial de 2018 teve uso do envio maciço de mensagens que violaram os termos de uso da rede social para atingir um grande número de pessoas.

E, pelo que tudo indica, erram aqueles que pensam que essas verdades vindas à tona tornariam os processos eleitorais seguintes mais democráticos, transparentes e dignos. Ledo engano! Os fatos políticos que têm acontecido no Brasil e no Amazonas mostram o contrário. A imprensa que tenta agir com independência é achincalhada de todas as formas, através de uma campanha de desmoralização que vem de ninguém menos que o próprio Presidente da República.

As matérias de cunho investigativo, aquelas do bom jornalismo que aprendi a fazer nas redações de jornais, com os grandes mestres do jornalismo no Amazonas, que são escritas com base em documentação, com provas incontestáveis captadas nos próprios sites oficiais, são classificadas de fake news. O jornalista é ameaçado e perseguido como se estivesse em tempos de Ditadura.

Enquanto as matérias que buscam mostrar o mau uso do dinheiro público são defenestradas, dá-se valor às matérias sobre a vida pessoal dos políticos, problemas familiares, filhos problemáticos, separação matrimonial, vida sexual, coisas do gênero. O público se confunde cada vez mais com o privado, onde virou moda ser hipócrita, como por exemplo, políticos que já tiveram casos homossexuais ficarem posando de homofóbicos.

Uma “moda” que vem desde a campanha presidencial insiste em perdurar, com piadas sobre negros, mulheres, pessoas acima do peso, homossexuais ou qualquer outro cidadão que seja diferente dos tais padrões daqueles que se acham uma “raça superior”, lindos, loiros, ricos e “bem-nascidos”.

E o que mais me deixa triste nessa história é saber que uma parcela da população – rogo a Deus que seja cada vez menor – acha graça desse tipo de notícia, aplaude esse tipo de “jornalismo”, sente prazer com a humilhação pública e a exposição familiar de outras pessoas.

A nós que temos as palavras como instrumento e a verdade como companheira de trabalho, nos resta combater as notícias falsas, se negar a fazer trabalho sujo, e apelar para que o eleitor tire da vida pública aquele que só sabe fazer o mesmo que na privada.