A ciclovia “fake” do prefeito e os milhões pagos para empreiteiras da família Cameli

Ciclovia Montagem

Fazendo uma pesquisa sobre as Ciclovias existentes no Brasil e no mundo – tá no Google, minha gente? – é visível a diferença com a que (diz que) foi “construída” – sinônimo de quebrar o canteiro central do Boulevard e pintar o chão – pela Prefeitura de Manaus. Todas as ciclovias encontradas na pesquisa estão no mesmo nível da pista onde trafegam os veículos automotores, e não num nível mais alto que a pista, em canteiros por exemplo, local próprio para pedestres. Valendo-se de mera observação – não precisa nem ser um dos “notáveis” engenheiros de trânsito pagos a peso de ouro pelo prefeito Artur Neto – se nota que um mero desequilíbrio (e a gente reza pra que isso nunca aconteça) pode fazer com que um ciclista caia em meio aos carros, numa pista que é de velocidade, e lá vai a fatalidade recair sobre a família de alguém – igualzinho a faixa azul onde por falhas técnicas na implantação de um corredor exclusivo para ônibus pessoas estão morrendo atropeladas.

Sem contar, que é só ler os projetos de outras ciclovias, pra saber que esse espaço exclusivo para os ciclistas, é demarcado por muretas, grades, blocos de concreto ou outras alternativas de evitar qualquer contato dos ciclistas com veículos de passeio ou de carga. Idealizadores de outras ciclovias também chamam a atenção para evitar que pedestres circulem pela área destinada aos ciclistas porque, como eles explicam, sendo a bicicleta um veículo silencioso, o pedestre pode não se dar conta de um ciclista que venha em sua direção e ocorrer uma colisão. É só ir até a ciclovia de Artur Neto que se vai ver pedestres passando para a faixa dos ciclistas, por não verem bicicletas em determinados momentos, e por não haver nenhum impedimento para que os pedestres passem para o outro lado do canteiro – até porque os canteiros do Boulevard era realmente área de circulação de pedestres.

Preço que ninguém prova

E desde o começo da polêmica sobre a tal ciclovia que não se sabe, afinal, qual exatamente o valor gasto na dita “obra”, com comprovação oficial do que está sendo dito. A placa da “obra”, que já causava estranheza ao Radar desde que esteve em nossa mira, no final do ano passado tem as seguintes informações. Valor do Investimento: R$ 22.868.143,60 (vinte e dois milhões, oitocentos e sessenta e oito mil, centro e quarenta e três reais e sessenta centavos). Empresa: Construtora Amazônidas Ltda/ Assinatura do Contrato: 17/10/2013. Prazo: 180 dias. Responsável Técnico: Engenheiro Civil Eládio Messias Cameli – CREA 12.487- D/AM. E no final do ano passado quando vimos essa placa, logicamente, já começamos a achar a situação absurda diante de um contrato firmado no ano de 2013, numa valor de R$ 22 milhões, para obras que seriam feitas em 180 dias, ou seja, seis meses, e  ter se passado um ano e não haver obra nenhuma no local. E ficou pior, no início desse ano, quando surgiu a tal ciclovia do prefeito Artur Neto cuja obra se limitava em quebrar certos trechos dos canteiros para fazer rampas e pintar o chão.

Quando esses fatos tornaram-se um escândalo público, primeiro foi divulgado no site de A Crítica que a informação da Prefeitura é de que a “obra” teria custado um R$ 1 milhão.  E como surgiu “peia” no prefeito de todos os lados, todo mundo achando o preço muito alto pra tão pouca obra, lá apareceu um outro valor dito pelo prefeito em entrevistas aos veículos de comunicação, R$ 440 mil – aquilo vale esse valor gente?

Esse custo também foi citado pela secretária de Comunicação do município, jornalista Monica Santaella, através de conversa telefônica com o Radar, onde foram feitos alguns questionamentos como: Afinal, qual o valor certo da obra? Se o valor de R$ 22 milhões fazia parte de um pacote de obras, quais os serviços que foram realizados e quanto foi pago desse contrato? Onde estão as informações sobre esse contrato no Portal Transparência da Prefeitura? Apesar de classificar as matérias sobre a tal ciclovia como uma “maldade”, a secretária não quis se alongar na conversa, disse achar melhor não responder a esses questionamentos pelo telefone, determinando que as perguntas fossem feitas por escrito, para seu e-mail. Isso foi feito. E lá se vão um mês e nenhuma resposta foi dada, e a secretária nunca mais nem atendeu às ligações feitas pelo Radar para o número 98842- xx34.

Atrás da Transparência 

E se a comunicação da Prefeitura de Manaus se cala, então tenta-se saber de alguma coisa através do site Transparência. Mas, descobrimos que o site Transparência tem quase nenhuma transparência. Ele é feito, tá na cara que propositalmente, para o cidadão comum não conseguir ver nada o que é contratado e pago pela Prefeitura de Manaus com o nosso dinheiro. Nas primeiras tentativas damos repetidas vezes com a mesma mensagem “pop up bloqueado”. E, como qualquer cidadão comum, eu sei lá o que é isso, minha gente? – confesso minha ignorância tecnológica.

Mas, o técnico do Radar consegue fazer o desbloqueio. E aí, você acessa o site Transparência da Prefeitura, buscando saber, afinal, os serviços contratados, os efetivamente realizados e valores recebidos pela Construtora Amazônidas Ltda – empresa que está na placa da “obra” da Ciclovia como contratada pela Prefeitura para tal serviço – e dá de cara com um link que está do lado direito “pagamento realizados” mas, clicando nele ainda não aparecem os pagamentos, surge somente um quadro pedindo pra você preencher com o nome da secretaria e as datas do período em que se pretende fazer a busca. E quando se preenche o quadro com as informações sabe o que você consegue, gente? Absolutamente nada!  Só o que aparece é uma mensagem: “Não existe pagamentos para esta secretaria neste intervalo de datas” – pelo jeito os” notáveis” técnicos de informática da prefeitura tratam o português do mesmo jeito que fazem com o Site Transparência já que o certo é “existem”.  E aí gente eu nem vou dizer quantos “atalhos” tivemos que pegar para chegar aos pagamentos da Secretaria de Infraestrutura à Amazônidas Ltda porque a gente não terminaria hoje.

E não adiantar reclamar porque ninguém se dá o trabalho de fazer a Prefeitura de Manaus ter transparência com o dinheiro público. Quer ver um exemplo? Falamos sobre a situação com o Procurador Geral de Justiça do Estado, promotor Fábio Monteiro, há cerca de um mês e meio atrás, e o chefe do Ministério Público do Estado – órgão responsável por fiscalizar  o não cumprimento das Leis, entre elas, a Lei Complementar 131/2009 (Lei da Transparência) – e ele assegurou que iria ver o que estava acontecendo, pedir explicação da Prefeitura de Manaus e mais blá,blá,blá… E, de novo, nossos antenados leitores sabem o que aconteceu, né mesmo? Absolutamente nada!

Empresa dos Cameli

Mas, até que enfim (ufa!) conseguimos chegar a alguma informação sobre os recursos repassados pela Secretaria e Infraestrutura da Prefeitura à empresa responsável por tão “fantástico” projeto que é a Ciclovia (de canteiro) feita pela Prefeitura de Manaus. O total pago no ano passado foi de R$ 6,5 milhões, para quais serviços, isso não sabemos – como contamos anteriormente bem que tentamos saber através da comunicação da Prefeitura, mas ninguém quis falar nada.

E como o Radar sempre capta os mínimos detalhes dos fatos, o responsável pela empresa Amazônidas Ltda – tá lá na placa da “obra”, minha gente! – é o engenheiro Eládio Messias Cameli, irmão do ex-governador do Acre, Orleir Cameli, aquele mesmo que foi denunciado por tudo que é MP (Ministério Público), seja estadual ou federal, desde crimes cometidos por suas empreiteiras, como a destruição do sítio arqueológico da Ponta das Lajes, até compra de votos de parlamentares para aprovação da emenda à reeleição na época de Fernando Henrique Cardoso – que agora junto com seu pupilo Aécio Neves, e seu partido, o PSDB, posa de vestal da moral e faz discurso de honestíssimo que a cara nem treme.

Na época do escândalo de compra de votos para a emenda à reeleição (1997), surgiu a dupla de governadores Orleir Cameli, do Acre, e Amazonino Mendes, do Amazonas, apontados pela revista Veja como diretamente envolvidos na compra de votos para a reeleição de presidente, e também numa “cruzeta” – troca de favores – entre empreiteiras em que “um faz obras no Estado do outro”, disse à Veja o então deputado estadual Serafim Correa, o mesmo que apoio Artur Neto e que não vê qualquer estranheza na construção da Ciclovia “fake” da Prefeitura e nem do fato de empresa da família Cameli fazer parte do negócio.

E essa não é a única das empresas da família Cameli recebendo milhões da Prefeitura de Manaus. A Etam também é do empresário e engenheiro Eládio Messias Cameli, e recebeu da Prefeitura, no ano passado R$ 9, 4 milhões, para serviços que a gente também não consegue saber porque, assim como no caso da Amazônidas, não  se conseguiu no “Site Transparência” da Prefeitura encontrar detalhes sobre qualquer contrato feito com essas empresas e os serviços prestados. (Any Margareth)