A crise de autoridade em plena pandemia

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No Brasil, além de uma crise sanitária e econômica, estamos passando por uma crise de autoridade. O que se vê são homens públicos sem pulso, sem poder de mando, sujeitos à pressão de todos os tipos, que tomam decisões aleatórias, sem planejamento e sem estratégia. Isso ficou visível, nessa quarta-feira (23), quando tomamos conhecimento de uma reunião que foi convocada, com urgência, do Comitê Estadual de Enfrentamento à Covid-19 para traçar o que o Poder Público iria fazer diante do aumento de casos da Covid-19 e a taxa cada vez maior de ocupação nos hospitais.

Já dava até para prever o que iria acontecer. Sem saída, o Governo do Estado teve que endurecer as regras sanitárias, fechar o comércio mais uma vez, suspender o funcionamento de bares, flutuantes, casas noturnas, proibir eventos festivos de Natal e Réveillon. E o pânico e a revolta se espalhou pela cidade!

Se de um lado é fácil entender que, ou se toma uma medida urgente ou muita gente vai morrer, de outro também não é difícil se colocar no lugar dos lojistas que se prepararam pro final de ano, compraram produtos para o Natal e o Réveillon e precisam vender. Essa é uma lógica perversa, de um lado o risco de uma doença que pode ser fatal, a Covid-19, e de outro a luta pela sobrevivência econômica.

E o pior dessa situação é saber que isso poderia ser evitado. O governo de Wilson Lima não deveria ter cedido às pressões e ter flexibilizado as medidas de segurança adotadas na pandemia. Ele autorizou a reabertura de bares e casas de show a partir de 1º de dezembro. O povo se aglomerou, não manteve o distanciamento, a máscara e o álcool em gel foram esquecidos, e o resultado é o que está acontecendo agora. E se o “remédio amargo” de manter as proibições tivesse sido usado, os lojistas não estariam agora amargando prejuízos.

E isso só me faz lembrar de certos líderes políticos pelo mundo que foram considerados rígidos demais, até autoritários e cruéis, por imporem normas duras à população durante a pandemia. Mas, atualmente o que se diz desses líderes é que são responsáveis por algumas das melhores estratégias de combate ao novo coronavírus.

Vale destacar que esses líderes mundiais dos quais estou falando são mulheres, como por exemplo, Angela Merkel, da Alemanha, que em seu país criou o maior esquema de testagem, rastreamento e isolamento da Europa. Só para se ter uma ideia como surtiu efeito a estratégia “linha dura” de Merkel, tinham morrido, até dois dias atrás, algo em torno de 28 mil pessoas na Alemanha e no Brasil, de Messias Bolsonaro, já morreram mais de 189 mil pessoas até esta quarta-feira (23).

Mas, enquanto Merkel tinha pulso para liderar uma Nação e confiabilidade para fazer os cidadãos cumprirem as normas, a maior autoridade do Brasil fazia piada com o vírus e palhaçada com a pandemia, assim como passava a responsabilidade para prefeitos e governadores.

E como passou a responsabilidade para o governador Wilson Lima a frente do Estado, nem preciso mais escrever sobre o que aconteceu. Preciso?