A dor de cabeça anunciada ao próximo Governo

Caos na Saúde, excesso de contratos e terceirizações, pagamentos sem o devido procedimento licitatório, data-base dos servidores. O cenário parece ser ruim, mas nada disso deve gerar tanta dor de cabeça ao novo Governo do Estado como o excesso de gasto com pessoal.

O excesso foi tornado público por técnicos da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) na última sexta-feira (23), durante audiência na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), provocada pelo deputado estadual Josué Neto (PSD). Na ocasião, o próprio diretor de contabilidade da Sefaz, Luiz Otávio, admitiu que o inchaço na folha de pagamentos pode levar o Amazonas a uma crise econômica similar a que enfrentou o Rio de Janeiro.

Enquanto isso, o governador eleito Wilson Lima garantiu que irá reduzir os gastos no Governo, mas sem diminuir o número de Secretarias de Estado – hoje, cerca de 25, sem contar com as Secretarias Extraordinárias que fazem coisas tão extraordinárias que ninguém sabe para quê servem.

Segundo o economista e deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), a folha de pagamentos do Estado teve um crescimento médio de R$ 300 milhões a cada quatro meses.

Mas há uma solução: já que o governador eleito disse que economizará sem mexer no número de Secretarias, uma das medidas pode ser começar a ‘cortar’ os cargos comissionados, aqueles ditos de confiança, a começar pelos que dizem trabalhar na Casa Civil, por exemplo, atualmente loteada com parentes de donos dos veículos de comunicação do Estado, com filhos e sobrinhos de membros do Judiciário, ex-prefeitos e ex-secretários.

Bom que a Casa Civil funciona do ladinho do gabinete do governador, na sede do Governo, na Compensa, e ocupa um espaço onde cabem, chutando por alto, 100 pessoas. Quem dera se a folha de pagamentos da Casa Civil fosse composta só por 100 pessoas né minha gente?! A folha de pagamentos de Outubro deste ano, por exemplo, tinha nada mais nada menos do que 508 servidores entre efetivos e comissionados.

Dos 508 servidores, 270 ocupam cargos de assessores. Mas a Casa Civil ainda tem 29 assistentes e 58 consultores técnicos.

Se o novo Governo acatar a recomendação da Comissão de Finanças da Assembleia de realizar uma auditoria na folha de pagamentos, um bom lugar para começar será na própria sede do Governo. Pode ser que apareça tanta gente que a sede ficará pequena para tanto ‘servidor’.

Acesse o link com 508 cargos e salários da Casa Civil conforme Site Transparência do Governo