A “Empresa de Eventos e Palestras Lava Jato” apresenta…

Parece até que euzinha estou vendo a publicidade: “A Empresa de Eventos e Palestras Lava Jato apresenta: Você sabe como prender o ex-presidente da República mais popular da história do Brasil e impedi-lo de participar de eleições presidenciais? Pois, nós lhe ensinamos! Temos à sua disposição ‘aulas/palestras’ com os heróis nacionais do combate à corrupção! Pela bagatela de R$ 10 mil por ‘aula/palestra’ você leva um procurador da República da Operação Lava Jato e ainda pode levar de quebra, fechando um combo, o juiz-chefe da Lava Jato, que mandou prender Lula, Sérgio Moro, ou até quem sabe, um procurador da República. E nem precisa se preocupar com esse negócio de pagamento de imposto ou com problemas legais porque a Lei somos nós”.

Assim, essa minha cabeça pensante que faz quaisquer notícias, mesmo as mais asquerosas, virarem motivo de riso – se não já tinha morrido de raiva – leu as últimas postagens do site The Intercept Brasil sobre conversas do procurador da República e coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, utilizando a fama e os contatos conseguidos com a operação, para ganhar dinheiro e fazendo isso de forma tão ou mais ilegal do que aqueles a quem ele (Dallagnol) e o juiz-chefe da Lava Jato, Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, acusaram de corrupção.

Em um chat privado, Dallagnol aparece falando com outro colega da Lava Jato, o também procurador Roberson Pozzobon, sobre a criação de uma “empresa de eventos e palestras”. “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar ok? É um bom jeito de aproveitarmos nosso networking e visibilidade”, combinam eles. Mas, isso fica claro que não seria feito legalmente, quando eles tratam durante a conversa que a empresa seria aberta nos nomes das esposas… por questões legais.

Como bem lembra o site The Intercept, “a Lei não proíbe que procuradores seja sócios, investidores e acionistas de empresas, desde que não tenham poderes de administração ou gestão de empresas”. Mas o que fica claro nas conversas é que o procurador Deltan Dallagnol, está sim gerenciando negócios que iriam fazê-lo ganhar dinheiro com a Lava Jato.

Os procuradores Dallagnol e Pozzobon chegam a ironizar o caso de uma possível investigação sobre os negócios envolvendo a empresa de eventos. “É bem possível que um dia ela (uma das esposas) seja ouvida sobre isso, pra nos pegarem por gerenciarmos empresa”, diz Dallagnol ao que seu colega de Lava Jato, Pozzobon comenta em tom de gracejo: “Se chegarem nesse grau de verificação é pq o negócio ficou lucrativo rsrsrs. Que veeeenham.”

Dallagnol chegou inclusive a utilizar duas funcionárias da Procuradoria pagas com dinheiro público pata ajudar nos seus negócios. Elas cuidavam da sua vida de palestrante famoso.

E o procurador e coordenador da Lava Jato não fazia negócios só para si. Ele conseguiu “aulas/palestras” para o juiz a quem chamava de “chefe”, Sérgio Moro. E ainda orientava que o chefinho podia cobrar mais. “Eles pagam para o palestrante R$ 3 mil. Pedi R$ 5 mil para dar aula lá ou palestra…Achei bom te deixar saber para o caso queira pedir algo mais, se achar que é o caso (Vc poderia pedir bem mais se quisesse, evidentemente, e aposto que pagam)”, diz o procurador ao juiz Sérgio Moro.

As conversas são longas e trazem fatos ilegais e imorais. Soa sem qualquer ética e moralidade, por exemplo, o procurador utilizar um palavreado em suas conversas tão parecido com os dos acusados de corrupção pela Lava Jato, códigos para esconder roubalheira que, nunca foram usados, por exemplo, pelo principal alvo da Lava Jato, o ex-presidente Lula. Dallagnol transforma “mil reais” em apenas “k” e, assim, quatrocentos mil reais passam a ser 400K, o valor que o herói do combate a corrupção prevê que vai ganhar em um ano utilizando-se da “visibilidade” como procurador da Lava Jato.

Vale lembrar que, em um ano, o procurador da República, ganhou só de salários mais de R$ 300 mil reais. Mas parece que, nesse caso, 300k era pouco pra quem se sente o mocinho acima da Lei.