A escolha de Wilson Lima

Montagem Radar Amazônico

Já me fiz essa pergunta várias vezes: por que será que ao invés de preferir ser amado, tem gente que opta por ser odiado?  Essa pergunta serve também para a situação do governador Wilson Lima no que diz respeito a criação da chamada “Lei do Gás”, com novas normas para o setor de gás natural no Amazonas, a principal delas é o fim do monopólio da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás).

Não conseguia entender por que, nessa história do gás natural no Amazonas, riqueza que pode vir a ser o novo vetor de desenvolvimento econômico e social do Estado, Wilson Lima parece gostar de protagonizar o papel do bandido e não do mocinho. Tem sido esculachado de todo jeito nas redes sociais – as vezes dá até dó!

É chamado de mentiroso porque prometeu durante a campanha exatamente criar regras que tornassem esse mercado atrativo para que empresas nacionais e internacionais quisessem investir no Amazonas, gerando emprego e renda. Após eleito, em fevereiro deste ano, repetiu isso em reunião com empresários na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (fieam) e não cumpriu.

Não fez essa normatização do setor e a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) foi lá e fez a “Lei do Gás”, através de um projeto do presidente da Casa Legislativa, deputado Josué Neto. Nesse momento, Wilson Lima, poderia ter posado de grande líder político, ter chamado para o diálogo o chefe do Poder Legislativo estadual, ter dito que ia vetar parcialmente a Lei, que iria melhorar a propositura, fazer audiências públicas, buscar a opinião de órgãos ligados ao setor de gás natural no país e opiniões de instituições de controle dos atos públicos como o Tribunal de Contas e os Ministérios Públicos estadual e federal e etc, etc, etc.

Mas preferiu passar de ser humano imaturo, quase recalcado, aquele que não fez e nem quer que o outro faça. Começou um cabo de força com o chefe do Legislativo estadual, vetando a Lei do Gás, acusando Josué Neto e o poder público que ele representa de ter usurpado uma competência federal – como se ele ligasse muito para o governo Bolsonaro -, de estar defendendo interesses próprios e sei lá mais o quê.

O governador, então, criou uma comissão especial com representantes de diversos órgãos e do próprio poder Legislativo (deputado Sinésio Campos) sob alegação que assim democratizava o assunto das novas regras do mercado do gás. Mesmo o ser mais leso do planeta, conseguiu ver que isso só serviu para Wilson empurrar a questão com a barriga, sem se importar que vai existir um leilão de 16 blocos de exploração de gás no Amazonas e a criação de regras mais atrativas – a abertura do mercado com o fim do monopólio seria uma delas – para investimento é muito importante para a economia do Amazonas. Wilson virou vilão do próprio Estado que governa!

Mas comecei a entender a escolha feita por Wilson Lima ao descobrir que, para ser o mocinho dessa história, ele teria que enfrentar gente poderosa nesse Estado. Gente que num gosta só de grana – isso é normal, eu gosto também! – mas de mandar e demonstrar que controla até mesmo o governador! Gente que adora bater no peito e dizer que o elegeu! Gente que não se importa de destruir alguém e prejudicar o Estado pra conseguir o que quer.

Wilson não fez, até agora, a escolha de ser o herói da história do Amazonas!