A estranha – pra não dizer coisa pior – história do afastamento de Wilson Lima

Primeiramente, vou logo adiantando que não tenho o menor problema de fazer aquilo que chamamos em jornalismo de errata – quando o veículo publica uma informação errada e reconhece o erro. Na vida, como no jornalismo, somos passíveis de erro. Nenhum ser humano é infalível e até acredito que isso é que torna as pessoas tão mais interessantes. E, se errar é humano, dizer que errou é demonstração de grandeza e não de fraqueza. Porém, eu sei o que vi e o que ouvi, e de quem ouvi, no caso do pedido de afastamento do governador Wilson Lima, do vice-governador e de oito deputados.

Primeiro que tive acesso as informações de um documento e tive o cuidado de ficar atenta aos detalhes para ver se era oficial. Mas, como boa cabocla xucra que sou e com a experiencia de mais de trinta anos de jornalismo que me fazem desconfiar de tudo e, às vezes, até de todos, achei que não era suficiente o que estavam me mostrando por meio de uma vídeo chamada. Comecei a ligar para vários contatos de Brasília, entre jornalistas e políticos.

Essas mesmas fontes, em anos de jornalismo, jamais me fizeram dar o que a gente chama nas redações de “barrigada” – publicação de fato falso por falta de checagem -, como no caso, por exemplo, das diligências e das prisões da PF na Operação Maus Caminhos, em se tratando de casos anteriores ou até de fatos bem atuais como a busca e apreensão na casa do governador Wilson Lima, quando nosso repórter foi o primeiro a começar uma Live do local. São fontes com quem euzinha tenho anos de relação de confiança!

Mas acontece que, nesta quarta-feira (18) deputados estaduais da base aliada do governo e assessores do governo de Wilson Lima passaram várias mensagens com um e-mail e uma postagem no Twitter do Ministério Público Federal (MPF) negando que haja pedido de afastamento do governador, do vice-governador e dos deputados. Segundo está escrito no post do Twitter e no e-mail “essa informação não procede (…) Trata-se de fake news” (ver print dos posts e do e-mail enviados por deputados e assessores do governo no final do texto).

E essa história vai ficando cada vez mais esquisita – pra não dizer coisa bem pior! Quais os interesses que fontes com anos de credibilidade teriam pra cometer um engano tão terrível que atinge o futuro político de tantas pessoas? Foram induzidas ao erro ou fizeram isso propositalmente? Por que essas fontes correriam o risco de perder a minha confiança e quem sabe até a minha amizade? Que documento era aquele que eu vi? Será que tiveram a coragem de forjar um documento oficial?

E agora mesmo que a repórter que existe em mim não vai sossegar! Ontem mesmo, quarta-feira, 18 de novembro, fui atrás das respostas pra decifrar essa história e, logicamente, o leitor do Radar vai ser o primeiro a saber o que está por trás disso. Se o caso é fake e é pra se fazer errata, ou é fato e ponto final.