A “fila da morte” e a enganação da reabertura do Hospital Nilton Lins

Dhyeizo Lemos / Semcom

No dia 8 de janeiro, em pronunciamento feito pelas redes sociais oficiais do Estado, o governador do Amazonas, Wilson Lima, anunciou que iria “iniciar o processo de reabertura do Hospital Nilton Lins”. E os dias foram se passando, dezenas de pessoas têm morrido por falta de um leito de UTI e já estamos no final de janeiro e nada da reabertura do Hospital Nilton Lins.

Nos últimos dias, vira e mexe, fico me lembrando da promessa do governador, toda vez que parentes e amigos de um paciente de Covid-19 pedem socorro, através do WhatsApp do Radar, porque a pessoa doente está no corredor de uma unidade de saúde e, se não for levada imediatamente para um leito de UTI, ela vai morrer.

A gente aqui no Radar se mobiliza, sai ligando pra um monte de gente do governo, reclamando, pedindo, às vezes suplicando mesmo. Algumas vezes dá certo e o paciente é transferido a tempo, mas muitas vezes quando se consegue o leito de UTI já é tarde demais. E a chamada “fila da morte” com pacientes a espera de um leito de UTI continua crescendo e nada do governador abrir mais leitos de UTIs.

E nesse momento só lembro de mais um “teatro da enganação” com a presença de mais dois personagens na história de reabertura do Hospital Nilton Lins. Posando para fotos e lentes das câmeras de TV, o ministro Eduardo Pazuello, ladeado pelo prefeito de Manaus, David Almeida e pelo governador Wilson Lima, acompanhado de um séquito de apaniguados e xerimbabos durante visita às dependências do Hospital Nilton Lins.

“Estamos juntando todos os esforços para que possamos aumentar o máximo possível a nossa capacidade na rede estadual de saúde. Esse espaço foi aberto com o apoio de parcerias com a Prefeitura, com o Governo Federal e com a iniciativa privada. Estamos fazendo uma força-tarefa para que isso aqui esteja pronto para atender as pessoas que estão sendo acometidas pela Covid”, afirmou Wilson Lima, no dia 11 de janeiro de 2021, ou seja, há doze dias.

Vocês viram ai gente? Wilson Lima, no dia 11 de janeiro, usou a frase “esse espaço foi aberto” para falar do Hospital Nilton Lins, mas não tem nada aberto! Como sempre Wilson Lima faz como se estivesse apresentando um programa de TV com uma realidade meramente virtual.

Já o general ministro da Saúde garantiu com toda pompa e circunstância que não iria faltar nada para que o Amazonas tivesse estrutura pra salvar seu povo da morte por Covid-19.

O resultado é que não só o Hospital Nilton Lins continua fechado como faltou até algo básico como oxigênio nos hospitais. E Manaus já ultrapassou mais de sete mil mortos por Covid-19.