A grande lição dessa eleição: antes só do que mal acompanhado!

marcelo-e-sua-turma-capaA cada aliado que o então candidato Marcelo Ramos cooptava no segundo turno eleitoral, mais amigos me ligavam dizendo que sua vitória era certa. Já eu, macaca velha em eleições, dizia que não era bem assim. Pelo contrário, na minha opinião, Marcelo Ramos tinha errado em suas alianças desde o primeiro turno. Afinal, passei anos como repórter na Assembleia legislativa do Estado vendo Marcelo defenestrar seus principais aliados de primeira hora: Alfredo Nascimento, Omar Aziz e José Melo.

E há ainda quem queira dizer – ontem mesmo uma grande amiga jornalista me criticou pelo WhatsApp por causa disso – que Marcelo não era aliado de Melo, Alfredo e Omar. Por favor né querida amiga, como alguém em sã consciência pode dizer que é do partido de um (Alfredo Nascimento) e tem, em sua coligação como candidato a prefeito, o partido dos outros dois (Melo e Omar) mas não os tem como aliados? Dá um tempo né, isso é no mínimo – pra não dizer coisa pior – incoerência.

Já euzinha aqui, dizia aos amigos que insistiam em me ligar falando de eleições, que a primeira pá de cal pra enterrar sua candidatura Marcelo deu ao se coligar com o PROS, de José Melo, o “chefe” do Governo mais desastroso e cheio de escândalos de corrupção da história do Amazonas. E seria muita incompetência eleitoral do adversário não enxergar – e não detonar – essa aliança bisonha entre alguém que defendia a moral e a ética (Marcelo) e quem é acusado de não ter moral, nem ética alguma – usando palavras do próprio Marcelo em discurso na Assembleia nos tempos em que era deputado.

E a aliança se estendeu a Omar, que o povo não esqueceu ter sido o principal responsável por termos Melo hoje no governo do Estado. E lá veio Pauderney, chamado de “o cara mais corrupto que existe” em gravação telefônica feita por delator da Lava Jato, e Serafim Correa, nada popular como prefeito de Manaus, e Silas sendo abominado pelos evangélicos verdadeiramente tementes a Deus que me disseram terem ficado revoltados com a campanha política ostensiva dele e de seus irmãos durante os cultos da Assembleia de Deus.

E aí, Marcelo foi se afundado na prática de seus aliados. O que vimos foi um Marcelo com uma cara raivosa, – nem preciso dizer com quem parece, né gente? – permitindo que se colocasse a vida pessoal de Artur Neto nas mídias sociais como espancador de mulher e processando jornalistas que sempre foram pessoas com quem teve um ótimo convívio e que nem estavam envolvidos diretamente na eleição – como euzinha aqui, meu povo!

Marcelo não conseguiu conter a prática de seus aliados de se unir a grandes veículos de comunicação para atacar o adversário. A dose de veneno fez foi fortalecer Artur Neto – minha mãe já dizia que aquilo que não te mata, te fortalece. E outra coisa que aprendi em eleição com um dos mestres no marketing político foi não vitimizar o adversário porque o povo se solidariza com as vítimas e detesta os agressores. Marcelo e seus aliados fizeram o que se chama de “errar na mão”, bateram demais, sem foco e sem estratégia, deixaram visível a parcialidade de veículos de comunicação.

As figuras ao entorno de Marcelo Ramos foram desfigurando sua candidatura e, aquilo que falava aos amigos durante conversas sobre eleição como mera opinião, virou convicção: parafraseando minha sabia mãezinha, mais uma vez, antes só do que mal acompanhado. (Any Margareth)