A hipocrisia do governo dos privilégios e a visita de Betinha ao filho no presídio

Fato que aconteceu nesse domingo (08) no Centro de Detenção Provisória de Manaus e que envolve Elisabeth Valeiko, que antes de ser primeira-dama de Manaus, é mãe de Alejandro Valeiko, indiciado no inquérito policial por “omissão de socorro” no caso da morte do engenheiro Flavio Rodrigues, não seria de domínio público, ficando apenas como mais um caso de uma mãe que tentou ver um filho que está na cadeia, se o governo de Wilson Lima não transformasse num escândalo (in) digno de página policial.

Mas a explicação para tal atitude do governo é simples. Nessa situação não está apenas Elisabeth Valeiko, mãe de Alejandro, mas sim a primeira-dama do município, esposa do prefeito Arthur Neto. Em nota enviada ontem e publicada em primeira mão pelo veículo oficial de comunicação do governo, ou seja, em A Crítica – num tão nem aí se vão dar furo nos outros veículos -, o governo expõe o caso ao público e posa de vestal da moral e dos bons costumes, dizendo ter impedido a visita de Elizabeth ao seu filho para evitar privilégios. A nota do governo terminava com a seguinte frase: “A Seap reitera que não há privilégios no atendimento a visitantes do sistema prisional”.

Meia verdade! Repare quem fala de evitar privilégios num governo onde é muito lucrativo ser “amigo do rei”. O mesmo veículo que expõe o drama familiar de Elisabeth acaba de ganhar o privilégio de um patrocínio de mais de R$ 1,6 milhão para o Peladão – enquanto os trabalhadores terceirizados da saúde continuam como na música que diz: pelado, pelado, nu com a mão no bolso!

Peço até desculpas por fazer essa analogia meio descontraída, mas é porque, quem trabalha com a informação, tem que tentar amenizar já que tem visto de perto o drama do caos na saúde, junto com pacientes e trabalhadores terceirizados.

E é só abrir o Diário Oficial todos os dias e saber quem são os ditos “amigos do rei” pra ver o grau de privilégios a que se chegou nesse Estado, privilégios sem medidas, nem limites, que vão desde cargos públicos até viagens pro exterior, só pra fazer umas comprinhas em Miami.

A situação de Elisabeth Valeiko ao tentar visitar o filho na cadeia poderia ter sido abordada pelo governo como a situação de qualquer mãe que tem um filho no presídio. E veja que estou falando de todas as mães, sem excluir nenhuma. Ser orientada a preencher o cadastro, cumprir com as normas da Seap e depois retornar ao presídio pra visitar seu filho. Mas, pelo visto, isso torna-se impossível em tempos em que os governos – não só o estadual – decidiram falar tanto de amor a Pátria e a Deus, mas estão mais para os ditos “fariseus hipócritas”.

Diz a Palavra: Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: 2 “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. 3 Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. 4 Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”