A investigação do MPAM que se arrasta e tem me feito ficar sem ar

Michael DANTAS / AFP

Poderia dar vários exemplos de investigação anunciadas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) que andam a passos de cágado, mas tem um caso em particular que tem me incomodado muito a cada dia que passa, tem me tirado o sossego, o sono e a paz. Isso acontece comigo porque, como já disse em outros textos, ainda não perdi a capacidade de me indignar.

Dois dias depois daquele fatídico 14 de janeiro, dia em que dezenas de cidadãos amazonenses morreram asfixiados por falta de oxigênio nas unidades de saúde de Manaus, o Ministério Público do Estado do Amazonas anunciava que uma de suas mais conhecidas coordenadorias especializadas, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – GAECO, estava abrindo investigação para apurar fatos que ocorreram durante a denominada segunda onda de Covid-19, “especialmente quanto aos eventos ligados à falta de oxigênio medicinal para atendimento dos pacientes necessitados de oxigenioterapia, tais como sofrimento e morte”.

Por falar em sofrimento e morte, até hoje, 14 de março, ou seja, dois meses depois, não se sabe nem mesmo quantas pessoas morreram em sofrimento pela falta de oxigênio naquele dia.

O MP classificou a investigação dos fatos como sendo de “caráter emergencial”. Definiu o MP sobre o procedimento investigativo: “a decisão de abrir o procedimento tem o objetivo de imediatamente coletar possíveis evidências de atuação criminosa organizada, a demandar pronta resposta como forma de também combater a situação vivenciada pela sociedade amazonense, em colaboração com demais promotorias envolvidas na promoção do direito à saúde, à vida e à dignidade da pessoa humana, sob a perspectiva de fazer cessar qualquer atuação criminosa que esteja colaborando com o atual cenário”.

E lá se vão dois meses e continuam sem respostas os parentes e amigos dos cidadãos amazonenses mortos por asfixia causada pela irresponsabilidade, incompetência, omissão e, porque não dizer, pela roubalheira que tem se espalhado como um vírus pelo nosso Estado. E, cadê o tal caráter emergencial da investigação determinado pelo próprio MP?

Os dias vão se passando e nenhuma resposta é dada às famílias do Amazonas. E a revolta é tanta que aperta o peito e me deixa com falta de ar.