A lição que vem de Coari

Foto: Reprodução

Tudo leva a crer que aquelas premissas que são repetidas há décadas de que “o povo tem memória curta” e de que “o povo vende o voto por qualquer trocado”, não servem para Coari. O povo daquela cidade parece estar mais para o seguinte ditado: “quem bate esquece, mas quem apanha não”.

O povo de Coari não apagou da memória os dias mais terríveis que vivemos no Estado, quando assistimos desesperados a morte cruel por asfixia dos nossos irmãos amazonenses sem que pudéssemos fazer nada pra ajudar. Em Coari, a situação da falta de oxigênio para pacientes de Covid-19 tomou aspectos ainda piores porque o Governo do Estado decidiu confiscar os cilindros de oxigênio que pertenciam ao município para abastecer as unidades de saúde de Manaus.

Definitivamente, o povo de Coari não tem memória curta. Não esqueceu que o governo do Amazonas não cumpriu sua obrigação de não deixar faltar um insumo básico para o tratamento de uma doença que afeta principalmente os pulmões e depois ainda demorou demais em tomar uma atitude para resolver o problema.

O povo sabe que a tragédia que se abateu sobre o Amazonas não foi a vontade de Deus, mas a incompetência e o descaso de quem está no poder.

O povo de Coari também não esqueceu que tem vivido dias de abandono e dor com a violência que, muitas vezes, poderia ser evitada se houvesse aparelhamento de segurança pública para o município, uma obrigação também do governo do Estado. Os poucos policiais que estão em Coari estão sobrecarregados de trabalho e ainda são tratados com desrespeito, sem direitos básicos garantidos pelo Estado, como alimentação e moradia. Isso tem ficado às custas da prefeitura da cidade.

Poderíamos listar muitos outros problemas enfrentados pela população de Coari, fruto do descaso e da inoperância do governo, mas esse texto ficaria longo demais e redundante. O que interessa nessa história é a lição que vem de Coari de que nada vai apagar o que fizeram com o povo daquela cidade. Não adianta aparecer por lá agora com rancho e auxílio de R$ 150 reais porque esse não é o preço pelo esquecimento.

Além disso, o povo de Coari tem demonstrado que sabe que esses benefícios são pagos com o nosso dinheiro, dinheiro de cada cidadão que paga imposto nesse Estado – bom lembrar que quem mais paga imposto no Estado e no País é o pobre.

E a moral dessa história que vem de lá de Coari é que um dia o povo cansa de apanhar e começa a “bater”. Peia neles, Coari!