A licença do senador e o espancamento do suposto ladrão de carro

Estou sentada em frente à televisão e vejo duas notícias sobe homens suspeitos de roubo. Um é senador da República, Chico Rodrigues (DEM-RR), acusado de fazer parte de um esquema criminoso que teria desviado R$ 20 milhões de emendas parlamentares destinadas ao combate à pandemia do novo coronavírus em Roraima. O outro homem, também acusado de roubo, não se sabe o nome, nem idade, nem qualquer outra informação. A polícia só diz que ele foi preso em flagrante por participar do roubo do carro de um motorista de aplicativo.

No caso do senador da República, Chico Rodrigues recebeu “conselho” do próprio presidente do Conselho de Ética do Senado, seu colega de partido (DEM), Jayme Campos, do que deveria fazer após ter sido flagrado pela Policia Federal (PF) com R$ 33 mil na cueca: tirar uma licença.

Com isso o senador vai pra casa descansar, aproveitar um tempo de folga, sem perder direito a nada. Não perde o mandato, nem o gordo salário, nem as vantagens de senador, já que os ganhos financeiros ficam na família Rodrigues. O filho do senador, Pedro Arthur Rodrigues, é seu suplente.

Já o acusado de roubo de carro recebeu como “conselho” o espancamento por parte de um policial que aparece em vídeo desferindo vários golpes de coturno enquanto ele está caído ao chão. Assim como não identificou o suposto ladrão de carros, o comando da PM também não identificou o policial que está no vídeo espancando o suposto assaltante. A polícia também não diz como está o acusado do roubo de carro depois da seção de espancamento praticada pelo PM.

O senador foi pra casa e o assaltante foi pra cadeia.

O comando da PM parabenizou os policiais pela prisão dos supostos assaltantes e chamou de “eventuais excessos” o espancamento que é visto no vídeo.

No caso de bandidos sem terno e gravata, tem se dado direito a polícia de ser juiz e carrasco, de prender, julgar e punir, mesmo contrariando a Constituição Federal e os preceitos legais. No caso dos bandidos com gordas contas bancárias e cargos públicos, o tratamento é VIP, com direito a “férias” em casa e suspensão de julgamento no STF – afinal pra quê julgamento se o senador já foi passar um tempo em casa!

Nas redes sociais, os internautas elogiaram o PM por ter espancado o acusado de assalto, mesmo ele já estando rendido no chão. Afinal defendem o lema de que bandido bom é bandido morto.

Mas, afinal, de qual bandido estão falando? Do que roubou milhões da pandemia ou o que roubou o carro?