A maior herança de Wilson: dívida de R$ 600 milhões na Susam e caos na Saúde Pública

Na última semana, o Ministério Público Federal (MPF)  no Amazonas ‘comemorou’ os dois anos da Operação Maus Caminhos que tornou público o maior esquema de corrupção no Estado envolvendo recursos públicos da Saúde e que culminou na prisão de ex-secretários de Estado e ex- governador do Estado, cassado por crime eleitoral, José Melo.

Pena que o esquema de corrupção não resultou apenas na prisão dos envolvidos, mas no completo caos que se tornou o sistema de Saúde Pública no Amazonas – que já não era dos melhores.

Na quinta-feira (13), o vice-governador eleito e anunciado secretário da Saúde, Carlos Almeida (PRTB), teve a primeira reunião com fornecedores de produtos e medicamentos para Secretaria de Estado da Saúde (Susam) e trouxe à tona um dado que, infelizmente, não era novidade para o cidadão que busca acesso aos serviços de saúde: há um rombo nos caixas da pasta que acarreta na falta de medicamentos.

O ‘rombo’ foi constatado em uma dívida projetada em mais de R$ 600 milhões para 2019 – só na Susam – ocasionada pelo não pagamento de fornecedores, assim como diversos procedimentos que implicavam no fornecimento de medicamentos sem observância da legislação.

Em determinados casos, diante da omissão do Governo em fornecer medicamentos, estes foram fornecidos após decisões judiciais. Ou seja, o cidadão, mesmo doente, teve que enfrentar uma verdadeira via crucis para conseguir, pelo menos, o remédio para amenizar as dores.

O caos na Saúde Pública vem sendo constatado há tempos e no dia a dia pelo cidadão que necessita de atendimento médico de urgência ou emergência, de quem precisa marcar uma consulta e para isso precisa enfrentar uma fila virtual de agendamentos ou por quem está nos corredores dos hospitais da rede pública de Saúde.

Esta será a herança herdada a partir de 1º de janeiro de 2019 pelo governador eleito Wilson Lima (PSC) e pela nova equipe de Governo que terão, ao que tudo indica, que fazer quase mágica para ajustar as contas públicas a realidade, especialmente na Saúde.

Durante a abertura da última reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), nessa quinta-feira, Wilson voltou a reafirmar que há um déficit superior a R$ 1,5 bilhão nas contas públicas e deu o tom do novo Governo.

“A gente vai fazer os ajustes que precisam ser feitos. Precisamos equilibrar despesas e receitas. A gente só pode gastar o que tem, não pode ser acima, senão o déficit vira uma bola de neve”, disse Wilson ao se comprometer em cortar gastos.

Para especialistas, o corte deve ser “cirúrgico” para não “quebrar” a máquina pública, mas contundente o suficiente para estancar o caos nas contas do Governo, especialmente na Saúde.