A maior vergonha desta eleição

Foi com tristeza e raiva – afinal aqui no Radar ninguém tem sangue de barata não, tá gente? – que vi a maior autoridade do meu Estado, na tentativa desesperada de vencer a eleição e permanecer por mais quatro anos no Poder, o governador Amazonino Mendes (PDT), tentar jogar na lama a história de uma das instituições mais importantes para o Estado Democrático de Direito: a Defensoria Pública do Estado (DPE). E o pior de tudo, sem que a Justiça Eleitoral tenha visto nada de errado nisso.

Desde o início do segundo turno, Amazonino Mendes utilizou a propaganda eleitoral no rádio e na televisão para afirmar que a Defensoria atuou – por meio de um dos seus membros – para pagar uma indenização às famílias dos presos mortos durante a rebelião realizada no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em janeiro de 2016.

Acontece que a própria DPE-AM já emitiu nota afirmando que a ação foi iniciativa do governador à época, José Melo – aquele cassado por compra de votos e preso após desvios de milhões da Saúde -, e que o pedido de indenização sequer chegou a ser feito. Mas, é bom deixar claro, que se tivesse sido feito, a Defensoria Pública nada mais estava fazendo do que cumprir sua função, afinal presos estão sob a tutela do Estado e, de forma nenhuma poderiam ter sido torturados, estripados, queimados alguns ainda vivos e degolados. E o governador esqueceu de dizer que nem todos os presos que foram mortos dessa forma eram estupradores e assassinos já que é bom lembrar que, infelizmente, no nosso País se joga dentro de presídios presos que cometeram delitos bem menores, como por exemplo, roubar comida num supermercado.

Mas o governador do meu Estado e seus correligionários e apoiadores têm utilizado uma entrevista do defensor público Carlos Alberto Almeida – que é o vice-governador na chapa de Wilson Lima (PSC) – editada e descontextualizada para tentar persuadir o cidadão que a DPE atua a favor dos infratores.

Tudo isto com aval do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) que indeferiu ações ingressadas por Wilson Lima que tentava barrar a utilização das ações da DPE-AM descontextualizadas e sem os devidos esclarecimentos durante a campanha eleitoral.

Na verdade, o governador tenta colocar em ‘xeque’ a trajetória de lutas de uma instituição que tem como função oferecer, de forma integral e gratuita, assistência e orientação jurídica aos cidadãos que não possuem condições financeiras para pagar por esses serviços.

Ou seja, a DPE atua como advogada dos pobres, de quem não tem condições de arcar com seu sustento, de quem está nas filas dos hospitais públicos na tentativa de marcar uma consulta ou um exame, de quem está em macas nos corredores das unidades de saúde à espera de socorro, – este sofrimento que o Governo faz questão de não mostrar na propaganda eleitoral –  e de quem perdeu tudo que tinha por erro de empresas como no caso do rompimento de uma adutora da Manaus Ambiental , gente que não tem R$ 1 para contratar um advogado.

Não custa lembrar a quantidade de ações movidas pela DPE-AM que, literalmente, salvaram vidas porque por meio delas a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) foi obrigada a fornecer medicamento, assistência médica ou uma cirurgia.

De acordo com dados da própria Defensoria, entre 1º de janeiro e 8 de agosto deste ano, a DPE-AM ingressou com 270 ações na Justiça estadual, para assegurar o acesso de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) a serviços de saúde ofertados pelo Estado.

É esta instituição que o governador Amazonino Mendes, em busca da reeleição, quer atribuir descrédito, quer jogar contra a opinião pública. A mesma instituição que garantiu que os moradores dos Residenciais Viver Melhor recebessem as residências – ‘dadas’ pelo Governo – sem rachaduras ou risco de desabar, a mesma instituição que luta para que sejam realizados concursos públicos e que os aprovados sejam nomeados, que luta contra irregularidades na defesa do elo mais fraco na corrente firmada entre o povo e o Estado – nós, o povo.

É desta forma que o governador e candidato à reeleição Amazonino Mendes mostra seu “amor pelo Amazonas” – parafraseando seu slogan de campanha – tentando destruir, macular, manchar, desonrar a instituição do Estado que luta por quem não tem mais a quem recorrer. Quanto amor, governador!