A missão infernal do Messias continua, sem que ninguém o impeça

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Se há uma constatação que vira e mexe passa pelo meu pensamento é: “se fosse qualquer outro político já estaria preso e, se fosse em outros países, onde os direitos coletivos realmente são respeitados e se sobrepõem aos direitos individuais, o presidente Messias Bolsonaro já teria sido acusado de crimes contra a humanidade, ou algo parecido”.

Messias Bolsonaro, desde o início da pandemia, parece viver seus dias para cumprir uma missão infernal, onde o que interessa é emburrecer a população, desinformar, desqualificar órgãos oficiais da Nação Brasileira, respeitados internacionalmente como a Anvisa, desmoralizar os cientistas brasileiros reverenciados pelo mundo inteiro – alguns inclusive atuam em pesquisas feitas em outros países -, boicotar até mesmo especialistas e autoridades médicas e sanitárias do seu próprio governo.

Ao invés de se empenhar em dar jeito na sua política econômica desastrosa, onde o pobre fica miserável e a classe média fica cada vez mais pobre, ao invés de achar uma alternativa econômica para a alta do dólar, o preço exorbitante da gasolina, os números preocupantes da inflação e a alta desenfreada dos preços dos alimentos, Messias Bolsonaro dorme e acorda levando a Nação Brasileira a morte, falando contra normas sanitárias utilizadas no mundo todo, desmobilizando os brasileiros para a imunização e fazendo publicidade de remédios que não servem pra nada e ainda matam – bom se alguém mostrasse quem está ganhando com a venda milionárias desses medicamentos.

O pior é ver que homens com currículos impecáveis, como o ministro Marcelo Queiroga por exemplo, médico cardiologista conceituado e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, se prestam a um papel como esse, de apoiar ou se omitir diante dos ataques de um presidente obtuso e desatinado aos preceitos da Medicina, aos quais o médico Marcelo Queiroga jurou servir.

A mais nova medida infernal do governo do Messias é o Ministério da Saúde rejeitar parecer de seus próprios técnicos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do Sistema Único de Saúde (Conitec), publicado no Diário Oficial da União (DOU), de sexta-feira passada (21), para o não uso de medicamentos do chamado “Kit Covid” para tratamento em pacientes do SUS com Covid-19.

Bom lembrar que o Conitec é um órgão colegiado de caráter permanente, integrante da estrutura regimental do Ministério da Saúde, ou seja, o governo do Messias rejeita um parecer de seus próprios técnicos da saúde, rejeita a expertise de especialistas diante da vontade de um presidente demente de brincar de médico e de fingir que é Deus.

E agora me vem na lembrança nossos irmãos do Amazonas, inclusive uma mulher grávida e uma idosa, que morreram por conta de nebulização de hidroxicloroquina aplicada enquanto essas pessoas estavam indefesas em leitos de hospitais. Esse tratamento foi imposto aos pacientes da nossa terra por médicos – se é que a gente pode chamar esses demônios de médico – do sul e do sudeste que vieram ao Amazonas enviados pelo então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que achou por bem fazer o povo do Amazonas de cobaia e ninguém se impôs a isso – apenas um ou outro da imprensa local denunciou o que estava acontecendo.

Até agora ninguém foi responsabilizado pelo assassinato dessas pessoas. É como se nada tivesse acontecido, como se essas pessoas fossem invisíveis aos olhos do Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE) ou quem mais tivesse a obrigação de impedir que fosse feito “tratamento experimental em seres humanos”, definição feita pela Comissão Nacional de Ética Médica (Conep).

O mais absurdo é que em sua missão infernal de pregar a morte dos mais fracos, indefesos e incautos, Messias Bolsonaro não fala mal desse “tratamento experimental” com cloroquina, pelo contrário, ele autoriza e incentiva. Já as vacinas, o Messias insiste em dizer todos os dias, que elas sim são experimentais.

E enquanto o Messias vai cumprindo sua missão dos infernos, as autoridades desse país, aqueles que se dizem fortes e destemidos, se omitem e se acovardam, apenas pra defender seus próprios interesses.