A notícia fake que o governador passou para a imprensa do Amazonas

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Parte da imprensa local divulgou, na sexta-feira da semana retrasada, dia 24 de julho, um anúncio feito em entrevista coletiva pelo governador Wilson Lima de que ele, enfim, enviaria para a Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), na semana passada, a chamada Lei do Gás, criando normas para regular a exploração e distribuição de gás natural no Amazonas. A semana chegou ao fim e nada de Wilson Lima enviar o projeto de Lei. E sequer deu alguma satisfação por não cumprir o que disse, já que o Radar questionou o governador,  através de sua Secretaria de Comunicação, mas não houve qualquer resposta

Pelo visto, o governador no afã de continuar empurrando com a barriga a questão de uma nova regulamentação para o setor e, desta forma, continuar mantendo o monopólio da Cigás no Amazonas, induziu a imprensa do Estado ao erro.

Por motivos óbvios, mas que não se pode falar abertamente senão a gente é que ainda acaba sendo processado por calúnia e difamação na Justiça do Amazonas, o governador continua com sua queda de braço com o Poder Legislativo estadual e, mais precisamente, com o presidente daquela Casa Legislativa, Josué Neto, autor da Lei do Gás que, segundo o parlamentar, torna mais atrativo o mercado para investimentos de empresas nacionais e internacionais no Amazonas.

Mas, parafraseando poema de Carlos Drummond de Andrade, “tem uma pedra no meio do caminho” da abertura do mercado do gás no Amazonas e, tudo leva a crer, que é algo mundialmente enojado, mas que os poderosos do Amazonas insistem em manter, o monopólio de uma empresa, no caso do Amazonas, a Cigás.

Alegando questões meramente formais do tipo que “nenhum técnico do Estado foi consultado”, o governador vetou a Lei do Gás da Assembleia Legislativa e criou, segundo ele, uma comissão multidisciplinar, através de Decreto nº 42.248, no dia 05 de maio,  para (diz ele) discutir o assunto e criar novas regras para o mercado de gás no Amazonas. Nesta comissão, a Assembleia Legislativa tem como representante o presidente da comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento, deputado Sinésio Campos. Ele foi escolhido por unanimidade o relator da comissão.

Levando-se em consideração as declarações dadas por Sinésio Campos ao Radar, num tem só “uma pedra” no caminho da Lei do Gás, tem ainda “interesses ocultos”. Sinésio disse isso porque, segundo ele, seu relatório com anteprojeto de Lei que regulamenta o mercado de Gás do Amazonas foi entregue no dia 6 de julho ao Governo e, novamente, Wilson Lima se manteve calado sobre o assunto. E o anteprojeto está dormindo em alguma gaveta do Governo.

Isso tudo acontece na contramão de promessas de campanha do governador de abrir o mercado de gás no Amazonas para investimentos e, inclusive, em fevereiro deste ano, Wilson Lima fez esse mesmo discurso para empresários na Federação das Indústrias.

Mesmo a pessoa mais tola no mundo da política, consegue entender que há algo de errado nessa história sobre a resistência do governador em enviar um projeto de Lei que normatize o setor de gás natural no Amazonas. E, se existia alguma dúvida, passou a ter certeza, já que agora o governador usa até mesmo a imprensa do Amazonas para anunciar notícia falsa.