A palavra certa é escárnio com o sofrimento do povo

Antes de começar este texto, fiquei até mesmo em dúvida sobre que palavra usar pra definir a atitude dos prefeitos do interior que gastam com festas, em seus respectivos municípios, enquanto o povo padece pela quase inexistência de políticas públicas. As imagens que chegam dessas cidades só fazem pensar em muita pobreza, carência na saúde e na educação, na infraestrutura, em todos os setores da administração pública. Mas, na contramão dessa situação de penúria do povo interiorano, os prefeitos gastam milhares de reais e até milhões com o que eles chamam de “eventos”, mas eu chamo de “farra” mesmo! E acabei chegando à conclusão que a palavra que melhor define o que acontece nesses casos é “escárnio”.

Mas não só aquele escárnio que é sinônimo de zombaria, gozação, chacota ou deboche mesmo – tudo junto e misturado. Mas também o escarnecer bíblico, o ato de corromper-se com as coisas da carne, ou seja, mentira, desonestidade, egoísmo, luxúria, maldade… Essas são características vista em muitos desses homens que escarnecem do sofrimento da população dessas cidades.

Como pode não haver nada de desonesto e maldoso em gastar mais de sete milhões dos cofres públicos com festas numa cidade como Barreirinha, uma cidade pequena com tantos problemas? Como não achar um escárnio o que acontece em Parintins, onde há festas grandiosas dos bumbás Garantindo e Caprichoso, mas o povo ainda consome água suja?

Mas os gastos dos prefeitos com farra não ficam restritos a Barreirinha ou Parintins. Infelizmente, quase que diariamente os repórteres do Radar veem publicações da gastança que aconteceu ou vai acontecer em cidades do interior do Amazonas, sem que ninguém, consiga impedir esse escárnio onde o povo paga para cantar num dia e sofrer no outro.