A quem eles pensam que enganam?

Com o passar dos anos, tenho visto que entre as poucas vantagens de se ficar mais velho, tem uma que talvez seja a principal delas, passar a conhecer a alma humana. Quando se passa da casa dos enta – quarenta pra mais – a gente entende que de boas intenções o inferno está cheio e que aqueles que posam de bem-intencionados, justos e éticos, na maioria das vezes estão “jogando pra plateia” e nada mais. Estou escrevendo sobre isso porque tenho ficado boquiaberta ao ver os “bem-intencionados” no caso do assassinato do engenheiro Flavio Rodrigues.

De um lado, tem colega jornalista que, sem apontar quem é o “palhaço”, joga todo mundo num “vala comum” acusando outros colegas jornalistas de montar “um circo” em torno das investigações do caso da morte de Flavio, sem pensar nas famílias atingidas com tudo isso, entre elas, a do prefeito Arthur Neto e sua esposa Elizabeth Valeiko, mãe de Alejandro, um dos acusados de envolvimento no caso. Justo até certo ponto, já que esse mesmo jornalista foi quem “vendeu” a ideia, sem qualquer informação da policial, apenas horas depois da ocorrência, de que houve um assalto, a casa foi invadida e coisas do tipo. Que tipo de jornalismo é esse?

Este questionamento também cabe para uma certa emissora de TV que costuma se “investir no cargo” de responsável pela eleição do governador e, por este motivo, manda e desmanda no Estado. No caso da morte de Flavio, fazem pose de quem manda até na polícia. É no mínimo esquisito – pra não dizer expressão bem pior – a imprensa passar a tarde toda levando “passa fora” na Delegacia de Homicídios, e somente a noite, quando todo os repórteres de outras emissoras já tinham ido embora, acontecerem mais duas prisões, coincidentemente -será meu povo? – quando um programa da emissora está no ar, bem no horário dos blocos do programa e não do intervalo. Será que o apresentar do programa é vidente?

Na tela da TV, um apresentador com um paletó roto, parecendo de um manequim menor – de quem vocês se lembram gente? – que fala aos berros e se contorce todo como se tivesse algo queimando no corpo e que tem a mania de perguntar: “Queima ou não queima”? No teatro do absurdo, após falar de moral e justiça, ele infla o peito, fazendo as vezes de quem tem coragem de dizer e fazer o que bem entende, e chama o enteado do prefeito de maconheiro. Pra quê isso colega?

Mas será que o tal “corajoso” tem peito de dizer que os donos da emissora têm interesses políticos e comerciais em provocar cada vez mais desgaste para Arthur Neto e eleger o próximo prefeito de Manaus, assim como acham que elegeram o governador? – esse povo ainda tem coragem de falar em Deus!

E no meio desse jogo de interesses nem morais e nem legais, eu fico aqui pensando em duas mulheres, mães como eu, uma que perdeu seu filho assassinado – acho que nada se compara a essa dor – e na outra que tem perdido, ano após ano, seu filho para as drogas. E penso que essa gente tão somente poderia tentar se colocar no lugar delas, mesmo dizendo que estão fazendo jornalismo.