A “roleta russa” das aulas presenciais e R$ 33,7 milhões pagos pelo “ensino a distância”

Fotos: Diego Peres/Secom

O governo do Amazonas, Wilson Lima e o secretário de Educação, Luis Fabian, passaram os primeiros meses de pandemia fazendo um estardalhaço danado na mídia sobre o chamado “ensino com mediação tecnológica”, popularmente chamado de ensino à distância”, um tipo de ensino que, segundo definição da própria Secretaria de Educação do Estado, possibilita aos estudantes “aulas ministradas de estúdios de televisão localizados no Centro de Mídias, em Manaus, em formato de teleconferência”.

Com toda pompa e circunstância – o que o caboclo chama de lambança mesmo! –  o governador fez até Live, ladeado pelo secretário de Educação, falando sobre um tal programa “Aula em Casa” – já viram que político adora criar um programa? – onde as aulas em plataforma on-line seriam transmitidas até por canal de TV Aberta (Encontro das Águas).

A pavulagem foi tão grande que o governo alardeou em tudo que foi blog, site ou portal de notícias – no Radar não, mano! – que o programa da Seduc “Aula em Casa” estava sendo exportado pra São Paulo, para garantir ensino à distância para mais de 3,6 milhões de estudantes paulistas. Mas, vem cá meu povo, Manaus tem bem menos estudantes que isso, então por que não garantem aula em casa durante a pandemia pros nossos estudantes? Afinal não somos nós que pagamos essa conta?

E por falar em conta, ela já atingiu mais de R$ 33,7 milhões pagos pela Seduc pelo ensino à distância, só nestes nove meses do ano e ainda têm mais de R$ 6 milhões empenhados para pagamento. Destes mais de R$ 33 milhões, o Radar captou que R$ 12,6 milhões foram para a empresa DMP Designe Marketing e Propaganda Ltda com contrato na Seduc para o tal “ensino com mediação tecnológica”.

E o “programa de Trabalho” descrito nesses empenhos para pagamento é “Expansão do ensino presencial por Mediação Tecnológica”. Mas, se a Seduc pagou todos esses milhões para expansão do ensino a distância cadê esse tipo de ensino, neste período de pandemia, para salvar nossos alunos e professores de um possível contágio pelo coronavírus? E pra onde foi a expansão desse ensino? Pra quantos municípios? Atingindo quantos alunos? Essas perguntas o Radar já fez várias vezes para a Seduc, mas sequer mandaram uma linha de resposta.

O que se sabe é que enquanto a Seduc paga mais de R$ 33,7 milhões em nove meses para empresas de ensino à distância, o governador Wilson Lima e o secretário Luis Fabian, insistem em obrigar professores e alunos a participarem da “roleta russa” – a ação de colocar uma bala no tambor do revólver, girar o tambor, apontar pra sua própria cabeça ou pra cabeça de outra pessoa e apertar o gatilho – do ensino presencial, onde estudantes e profissionais da educação são expostos perigosamente aos coronavírus.

E não se sabe quem vai ser contaminado ou não, quem vai contaminar seus familiares ou não, não se sabe nem mesmo quem está com o vírus ou não, já que faltam testes. Agora todos nós sabemos quem colocou a “bala” no tambor do revólver, girou o tambor e apontou a arma para o ensino público. São os mesmos que pagaram milhões por um ensino que poderia manter estudantes e professores com distanciamento social e longe da “roleta russa” do ensino presencial.