A tríade do PMDB na linha sucessória da presidência da República

Os Três Presidentes

Até eu, sempre antenada com tudo que se passa em minha volta, tava lesando. Ainda não tinha atentado para o fato de que existe uma linha sucessória na presidência da República que, caso a presidente Dilma Rousseff seja impeachmada, une a tríade do PMDB: Michel Temer, Eduardo Cunha e Renan Calheiros. E quando me dei conta disso, a visão do inferno foi tão terrível que quase nem acredito no que estava vendo. Liguei para pelo menos dois advogados amigos perguntando se, realmente, essa era a linha sucessória até me dar conta de que não estava imaginando coisa errada, fruto da minha sempre criativa imaginação.

Caso Dilma seja impeachmada, assume Michel Temer, mais citado na Lava Jato que Dilma Rousseff – essa informação não sai na Globo, viu gente? – e, se por algum motivo ele se ausentar, assume o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e caso ele vá dar umas voltinhas na Suiça pra checar os milhões em suas contas bancárias, ou na França pra sua mulher e filha gastarem R$ 87 mil, num dia, pra comprar Dior e Chanel, assume Renan Calheiros, que em 2007 teve que renunciar pra não ser cassado por acusações como, desvio de dinheiro público, falsidade ideológica e documento falso – nesse momento quase tenho um piripaque e caio dura no chão!

Tríade enrolada

Essa tríade do PMDB tá mais enrolada na Lava Jato do que papel higiênico. Em sua delação premiada – sinônimo de dedo-duro que ainda ganha prêmio e não paga por seus crimes – o senador Delcídio Amaral afirmou que o vice-presidente Michel Temer foi quem articulou a indicação de Jorge Zelada para o cargo de diretor internacional da Petrobrás, condenado a 12 anos de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e de João Augusto Rezende Henriques para a BR Distribuidora. João Henriques é chamado na Operação Lava Jato de “lobista do PMDB” na área internacional da Petrobrás e disse, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que passou cerca de US$ 10 milhões de dólares ao PMDB, “um milhão e pouco” para Eduardo Cunha.

Em agosto do ano passado, Temer também foi citado pelo lobista Júlio Camargo, um dos principais delatores do esquema e ex-consultor da empresa Toyo Setal. Camargo afirmou que outro lobista, Fernando Soares, mais conhecido como Fernando Baiano, era conhecido por representar o PMDB, o que incluiria Cunha, Calheiros e Temer. Na Lava jato, Fernando Baiano aparece como o responsável por intermediar o pagamento de propina acertada com Julio Camargo para facilitar um contrato de navios-sonda pela Petrobrás com uma empresa coreana. Temer também é apontado como suspeito, segundo informações que teriam sido apuradas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ter recebido R$ 5 milhões do dono da construtora OAS, José Aldemário Pinheiro, mais conhecido como Leo Pinheiro, um dos empreiteiros condenados pelo escândalo de desvio de dinheiro da Petrobrás.

A Polícia Federal encontrou menção sobre esse dinheiro, em troca de mensagens entre o empreiteiro Leo Pinheiro e Eduardo Cunha – lá tá ele de novo meu Deus!

Nas mensagens, o deputado evangélico Cunha, que posa de cristão perseguido por infiéis, se queixa de que o dinheiro foi repassado a Temer e não a outros líderes do PMDB, como ele próprio. Como era de se esperar, Temer nega tudo e Cunha jura sobre a Bíblia que não fez nada disso, inclusive que as contas da Suíça, que estão no seu nome, não são suas – só falta dizer que foram obras de um milagre, né gente?

Mais citado que celebridade

E se for contar as vezes em que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e possível presidente da República na linha sucessória de Dilma Rousseff, é citado na Lava Jato ele aparece mais que cantor de rock – apenas gospel já que ele é evangélico, tá gente? – em revista de celebridade. Ele já foi apontado por pelo menos seis delatores da Lava Jato, cuja principal acusação é de ter recebido US$ 5 milhões de dólares em propina de contratos de navios-sonda da Petrobrás, dinheiro que teria ido parar em contas de Cunha no exterior

Na Câmara, o peemedebista enfrenta uma representação apresentada pelo PSOL e pela Rede por quebra de decoro parlamentar. Mas, a representação não tem caminhado, sendo emperrada por inúmeras manobras de Cunha, com o devido apoio da imensa bancada evangélica na Casa Legislativa – pelo amor de Deus, dá pra parar de proteger esse Judas!

E apesar do Ministério Público da Suiça ter enviado documentos com contas bancárias no nome de Cunha, ele continua jurando por Deus que as contas não são suas – se não é sua, então é do povo brasileiro, devolve! E não posso deixar de fazer uma observação, mesmo que me esculhambe quem quiser: se essas contas tivessem no nome da Dilma, ela poderia ser presidente da República, mas Moro e o Ministério Público já tinham mandado prender.

7 inquéritos e não vira réu

E o mesmo “milagre” das contas na Suíça com milhões no nome de Cunha que ele diz que não são dele, deve estar acontecendo no caso do presidente do Senado e um dos “presidentes da República” na linha sucessória – diz que isso é mentira, gente! – Renan Calheiros.

Apesar de sete inquéritos abertos, o último a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), para investiga-lo, ele não vira réu nem por reza braba. Após o delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, dizer que o doleiro Alberto Youssef prometeu R$ 2 milhões a Calheiros para evitar a instalação de “uma CPI da Petrobrás”, que realmente não aconteceu, a PGR quer saber se o presidente do Senado, cometeu crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Ceará contou ainda que Youssef teria mandado pegar R$ 1 milhão com ele  e levar para Renan Calheiros, entre janeiro e fevereiro de 2014, ano eleitoral. Youssef e Calheiros negam.

O senador também é alvo de outros seis inquéritos na Lava Jato e de uma denúncia envolvendo uma ex-amante. Ele é suspeito de peculato (desvio de dinheiro público), uso de documento falso e falsidade ideológica. Uma empreiteira teria pago as despesas da filha que teve fora do casamento com a ex-amante, durante anos, e para provar que dinheiro público não foi desviado, Calheiros é acusado de supostamente apresentar notas fiscais falsas para comprovar ter renda suficiente para bancar as despesas dessa filha.

Como acontece “milagrosamente”, no Judiciário do nosso País, a denúncia contra Renan Calheiros está pronta pra ser colocada na pauta do STF, mas o presidente da maior Corte de justiça do País, Ricardo Lewandowski, por algum motivo – não dá pra dizer porque senão a gente é que ainda acaba preso – não põe em pauta. E, pasmem, a denúncia corre em segredo de Justiça, um segredo maior que os telefonemas dados pela presidente da República.

E enquanto sequer vira réu, em determinado momento Renan Calheiros pode vir a ocupar a cadeira de presidente da República, uma república da qual eu não quero fazer parte. Assumo, prefiro ficar com as pedaladas da Dilma pra pagar Bolsa Família! (Any Margareth)