Abir distribui nota dura contra o decreto de Bolsonaro que zerou o IPI do polo de concentrados

A Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir) disse que segue aberta ao diálogo

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Foto: Divulgação

A Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir) criticou duramente, em nota, na manhã desta sexta-feira (29) a publicação do Decreto n.º 11.052, do presidente Messias Bolsonaro (PL), que zerou a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o polo dos concentrados de refrigerantes da Zona Franca de Manaus (ZFM), que pode provocar a saída das fábricas de refrigerante no Estado e o fim de mais de 5 mil postos de trabalho. 

Em nota, a associação disse que o decreto é “infundado e discriminatório”, além de ser prejudicial ao modelo econômico da ZFM. A nota cita ainda a importância do polo de concentrados na geração de empregos diretos e indiretos no Amazonas.

“Não temos nos furtado ao diálogo na busca de soluções e de preservação de um modelo de desenvolvimento regional reconhecido internacionalmente e que não pode ser visto como mero benefício fiscal. A indústria de concentrados, por ser a única que, por determinação legal, precisa elaborar seus produtos com matéria-prima produzida na região, é responsável por gerar 7,4 mil empregos diretos e indiretos e contribuir com uma infinidade de projetos sociais, culturais e ambientais”, ressaltou.

A Abir reitera que segue aberta ao diálogo para buscar soluções ao polo de concentrados. “(O decreto) prejudica não só o Estado do Amazonas, mas sim todo o país. Perde a Amazônia, perde o Brasil. A Abir e o setor de bebidas não alcoólicas, pautados pela ética e transparência, seguem abertos e acreditando no diálogo como forma de buscar soluções”, conclui.

Impacto

A publicação do decreto aconteceu nessa quinta-feira (28), um dia após o governador Wilson Lima (União Brasil) postar nas redes sociais que teve uma reunião com Bolsonaro para “tentar reverter politicamente qualquer prejuízo à Zona Franca de Manaus”. Entretanto, o presidente mentiu e enganou mais uma vez o povo amazonense.

Além de impactar as fábricas de refrigerantes no Polo Industrial de Manaus (PIM), o decreto também afeta a produção de açúcar em Presidente Figueiredo e do guaraná em Maués, ambas no interior do Amazonas.

Confira o posicionamento da Abir na íntegra:

“Em um momento importante no qual o Brasil precisa resgatar credibilidade e atrair investidores, a sinalização é a da falta de previsibilidade e insegurança jurídica. A Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), representante de 71 empresas do setor de bebidas não alcoólicas com fábricas de norte a sul do país, foi surpreendida, na noite desta quinta-feira (28/4) com decreto que zera a alíquota de IPI para as empresas de concentrados na Zona Franca de Manaus, 10ª alteração ao longo dos últimos anos.

Não temos nos furtado ao diálogo na busca de soluções e de preservação de um modelo de desenvolvimento regional reconhecido internacionalmente e que não pode ser visto como mero benefício fiscal. A indústria de concentrados, por ser a única que, por determinação legal, precisa elaborar seus produtos com matériaprima produzida na região, é responsável por gerar 7,4 mil empregos diretos e indiretos e contribuir com uma infinidade de projetos sociais, culturais e ambientais. No país, o setor gera 2 milhões de empregos em toda a cadeia e recolhe anualmente R$ 13 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais

O ataque infundado à ZFM e, em especial e discriminatório à indústria de não alcoólicos, prejudica não só o Estado do Amazonas, mas sim todo o país. Perde a Amazônia, perde o Brasil.

A ABIR e o setor de bebidas não alcoólicas, pautados pela ética e transparência, seguem abertos e acreditando no diálogo como forma de buscar soluções.”