“Acabaram com o sonho do meu neto”, diz avô de criança morta pela polícia no AM

Laudo do IML confirma que garoto foi morto por arma de fogo

Revoltado com a ação policial realizada na última terça-feira (27) e que resultou na morte do pequeno Gabriel de apenas 12 anos de idade no distrito do Cacau Pirêra em Iranduba, Pedro Santos, que é avô da vítima, relatou à imprensa na manhã desta quinta-feira (29) que ainda está inconformado com tudo o que aconteceu.

O avô afirmou que assim que os agentes chegaram ao local, mataram um cachorro de estimação da família e ainda o obrigaram a tirar o corpo do animal do local.

“Já chegaram atirando, alegando que aqui tinha droga e tinha fugitivo, esculhambando todo mundo, chamando minha filha de p**, de s**, chegaram comigo e com minha mulher me jogando no chão e colocando o coturno em cima da minha costa para eu não levantar. Eles [policiais] pegaram e mataram o cachorro da minha filha e ainda fizeram eu botar [corpo do animal] dentro do saco e botar em cima do carro e ainda disseram – Tu quer levar tua cachorra dentro do carro ou tu quer levar a tua filha? – Eu disse quero levar a cachorra né! que já tava morta.”, relatou Pedro.

O corpo de Gabriel foi encontrado na manhã de ontem (28) com diversas perfurações. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas alegou que houve uma troca de tiros no local, versão essa que é contestada pelos vizinhos e familiares da vítima. O padrasto de Gabriel, identificado como Danrley Sullivan, foi preso acusado de porte ilegal de arma de fogo, mas as pessoas que testemunharam o caso acreditam que o artefato foi plantado para incriminar o padrasto, que é vendedor de bananas e não possui antecedentes criminais.

Ele era um rapaz muito educado e trabalhador. Eles dizem que o rapaz tinha uma arma, aquele rapaz jamais usava uma arma. Condenar as pessoas de crime não é assim não, tem que respeitar, não é porque usa uma farda que pode fazer qualquer coisa.“, relatou uma vizinha.

“Disseram que o padrasto dele atirou pelas costas sendo que eles [policiais] plantaram a arma na minha frente, um deu a arma para o outro e o outro colocou a arma no colete e disseram – Eu quebrei – foi quando eu dei falta e fiquei preocupado com meu neto eu fui atrás dele e perguntei – vocês mataram o meu neto ? – Eu não sei o que eu fazia, se eu os acusava de assassinos ou se eu mergulhava para tirar meu neto do fundo rio.”, relatou o avô de Gabriel.

Gabriel tinha um sonho de ser jogador de futebol e por isso era conhecido na região como ‘Gabigol’ em referência ao atacante do Flamengo. O avô da criança culpa os policiais de destruírem completamente os sonhos da criança e a liberdade da família.

“Acabaram com o sonho do meu neto, acabaram com a liberdade da mãe e com a liberdade de todos da família”, disse.

De acordo com o atestado de óbito de Gabriel, as causas da morte foram: Anemia hemorrágica aguda; traumatismo torácico e agressão com arma de fogo. Os familiares relataram que tiveram que cavar por conta própria, a cova para enterrar o corpo do garoto, pois não havia coveiro no cemitério local.

Trecho do atestado de óbito de Gabriel Lima dos Santos.

Procurada, a prefeitura de Iranduba não se manifestou sobre o assunto até a publicação desta matéria.