Achados arqueológicos encontrados na Matriz revelam a identidade histórica de Manaus

Um ano depois da praça 15 de Novembro, mais conhecida como praça da Matriz, ter sido entregue à população de Manaus pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, após ter sido feito um trabalho de resgate do seu traçado histórico que data de 1930, os achados arqueológicos encontrados no local durante as obras continuam a revelar a história de Manaus.

São mais de 3,5 mil peças entre louças, cerâmicas, gres (espécie de cerâmica de garrafa que não é transparente), vidros e material metálico. Todo o trabalho de campo para identificação arqueológica foi feito sob a coordenação da arqueóloga Margareth Cerqueira. Os achados passaram por limpeza, foram catalogados e receberam um número de identificação, passando a fazer parte de um inventário.

“Qualquer obra num centro urbano requer o acompanhamento de arqueologia, que é a ciência que trata de uma cultura material. Então, tudo que está no subsolo é patrimônio cultural, é arqueologia histórica”, explicou o coordenador técnico do PAC Cidades Históricas, Almir Oliveira. “O material que sai das obras acaba contando a história daquele lugar”, completou.

Entre a variedade dos achados arqueológicos, estão vidros de perfume, que eram usados como tinteiros, lamparinas, peças antigas da engrenagem do Relógio Municipal e um vidro de caldo de boi, o Bovril, alimento que os ingleses produziram para fortalecer a tropa durante a 1ª Guerra Mundial.

“Isso é muito significativo, porque fala da presença dos ingleses aqui em Manaus e que construíram o porto. A relação dos ingleses com Manaus é algo que se ouve falar na história e esse achado é uma comprovação científica de que essa relação é bem estreita”, destacou o coordenador do PAC, acrescentando que os únicos achados arqueológicos que ficaram na praça da Matriz foram os paralelepípedos.

“Os paralelepípedos, que são material arqueológico, redesenharam a feição antiga do largo da Matriz, como a pista da avenida Eduardo Ribeiro, a ruazinha que passa em frente ao pátio da escadaria. Com essa intervenção, devolvemos uma configuração urbana da década de 30 para aquele lugar da cidade. A praça ficou bem mais ampla”, ressaltou Almir Oliveira.

Catalogação

Durante o trabalho de identificação de cada peça que foi retirada da Matriz, é possível se chegar a uma data relativa, a que período ela pertenceu, qual o uso desse material, se doméstico, farmacológico ou comercial.

“Nós encontramos garrafas de vidro com mais de 200 anos, que já estão começando a se decompor, mais ou menos da época que começou a fabricação do vidro. Encontramos também muito material estrangeiro, que não tem aqui no Brasil ou que hoje já existe por aqui, mas que é muito difícil de ser encontrado, como a garrafa de gres, de origem holandesa, que vinha para o Brasil com bebida alcoólica ou com tinta nanquim”, revelou o arqueólogo Adilon Inuma, coordenador do trabalho de laboratório.

Todas as peças arqueológicas serão guardadas no Centro de Pesquisas Arqueológicas, para serem fonte de pesquisa. O centro está localizado no Laboratório de Arqueologia Alfredo Mendonça, cuja sede fica no Palacete Provincial, na praça Heliodoro Balbi, Centro de Manaus.