Adaf afirma que Agro Rio foi interditada, mas empresa continua funcionando e comercializando carne suína imprópria (ver vídeo)

Imagem de reprodução do vídeo que mostra a empresa AgroRio em pleno funcionamento

Imagem do vídeo que mostra a empresa AgroRio em pleno funcionamento

Após o Radar publicar denúncia feita pelo deputado Dermilson Chagas (Podemos) de que  a empresa Agro Rio está comercializando carne suína imprópria para o consumo, a Agência Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf) enviou nota à redação afirmando que a empresa “se encontra oficialmente interditada” desde agosto de 2020 e confirmando a denúncia do parlamentar quando diz que foram encontradas “sucessivas irregularidades”.  Mas, apesar da Adaf garantir que houve interdição é de conhecimento pública que a Agro Rio continua funcionando e comercializando carne de suínos. Em entrevista via telefone ao Radar, o deputado desmentiu a nota e afirmou que o local está funcionando e que diariamente as carnes suínas vão parar nas feiras e mercados de Manaus.

“O local está interditado para ‘eles’ [Adaf], que parecem ter uma relação mais de amizade do que profissional pelo que tudo indica, porque lá está funcionando. De lá sai porco para ser abatido e lá é um chiqueiro e não é uma granja. Se Adaf está falando que lá está fechado é porque estão com preguiça de trabalhar”, disse Dermilson Chagas.

Babujo

De acordo com a denúncia, a empresa coleta restos de alimentos em empresas do Polo Industrial de Manaus, de shoppings e até mesmo de hospitais e penitenciárias para dar aos animais, sem qualquer tipo de cuidado sanitário.

Diante desta irregularidades o parlamentar notificou a empresa e também encaminhou a denúncia para o Ministério Público Estadual, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Coordenadoria de Vigilância em Saúde.

“A Adaf tem que ter postura e responsabilidade com o povo porque aquela carne está sendo abatida e sendo vendida no comércio local. Então eu acho que Adaf está mais para conivente do que uma agência reguladora. Eu lamento dizer isso, mas a empresa está funcionando”, concluiu Dermilson Chagas.

No dia 4 de maio deste ano, o deputado divulgou um vídeo comprovando que o local realmente está funcionando. (vídeo)

 

Confira a nota da Adaf na íntegra

A Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf) esclarece que, desde 2017, vem fiscalizando as atividades na propriedade de criação de suídeos AgroRio, em Manaus, que se encontra oficialmente interditada por ação desta autarquia. Diante da constatação de sucessivas irregularidades no local, a Adaf encaminhou, no ano passado, o caso para o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM).

A primeira interdição do local ocorreu ainda em fevereiro de 2019, após os agentes da Defesa Agropecuária observarem inconformidades com a legislação sanitária, como superlotação e más condições de higiene, alimentação, sanidade e estrutura.

Após essa fiscalização, o estabelecimento providenciou melhorias e, em uma nova visita, em agosto daquele mesmo ano, a granja de suínos foi desinterditada.

No entanto, a agência continuou a monitorar as atividades e condições, voltando a constatar irregularidades na propriedade, que foi novamente interditada em agosto de 2020. Ainda no ano passado, a Adaf indeferiu um pedido do estabelecimento para comercializar cem animais.

Diante da reincidência de inconformidades identificadas na AgroRio e vendo esgotadas todas as possibilidades de atuação da agência, como interdição e aplicação de multas, a Adaf encaminhou o caso ao Ministério Público do Estado, para que fossem tomadas as medidas cabíveis. No pedido, feito em outubro de 2020, a agência salientou a gravidade das irregularidades detectadas e o elevado grau de risco à saúde pública.Em dezembro do ano passado, a Adaf recebeu da propriedade um plano de ação para que sejam efetuadas as adequações necessárias.

Este plano vem sendo acompanhado pela agência, que observou, no último dia 6, algumas melhorias implementadas pelo estabelecimento, como instalação de equipamentos para aquecimento dos animais na maternidade, gaiolas higienizadas e em bom estado e criação de uma nova área para alojamento de novos animais e redistribuição do plantel, entre outras.

No entanto, apesar da averiguação dos avanços, o local continua interditado e a Adaf segue monitorando semanalmente as adequações da propriedade e execução do plano de ação até se tornar viável a desinterdição.