Advogados de Palocci voltam a negociar delação com a PGR

Os advogados do ex-ministro Antonio Palocci voltaram a conversar sobre a delação dele com a Procuradoria-Geral da República (PGR), de acordo com informações da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Desde Palocci resolveu colaborar com as investigações, o PT entrou em estado de alerta. Em um de seus depoimentos ao juiz Sérgio Moro, em setembro do ano passado, o ex-ministro já desferiu um inédito e estrondoso golpe contra Lula, referindo-se ao que chamou de “pacto de sangue” entre o ex-presidente e a construtora Odebrecht para financiamentos políticos e pessoais, em troca de contratos com os governos.

Antes, ainda em abril, já tinha avisado ao magistrado que poderia apresentar “fatos com nomes, endereços e operações realizadas”, “um caminho que vai lhe dar mais um ano de trabalho e que faz bem ao Brasil”.

Apesar de a delação estar, atualmente, em “banho-maria”, setores do PT seguem traçando estratégias para tentar minimizar os prejuízos causados pelas possíveis revelações do ex-ministro. Uma delas, ainda segundo a colunista, é esmiuçar os depoimentos de Palocci e apontar lapsos de memória.

Para o partido, não faz sentido aceitar que a metralhadora do ex-petista seja apontada apenas para Lula. Palocci deixou os quadros do partido, em setembro de 2017, após encaminhar à presidente nacional da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR), uma carta em que pediu desfiliação da legenda. A solicitação foi feita após a executiva do PT de Ribeirão Preto (SP) aprovar, por unanimidade, abertura de procedimento para a sua expulsão.

No texto, Palocci ainda acusou Lula de “sucumbir ao pior da política”. Também reafirmou que negocia acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, reiterou as acusações feitas em depoimento ao juiz Sérgio Moro, e ainda sugeriu que o PT firme um acordo de leniência “reconhecendo as graves falhas e enfrentando a verdade”.

“Estou disposto a enfrentar qualquer procedimento de natureza ética no partido sobre as ilegalidades que cometi durante nossos governos, as razões e as circunstâncias que me levaram a estes atos e, mesmo considerando a força das contingências históricas, suportar pessoalmente as punições que o partido julgar cabíveis”, diz trecho do documento.. O ex-petista tentava se manter na fila para fechar acordo de colaboração.