Afonso Lobo é denunciado pelo MPF por receber mais de R$ 1 milhão em propina

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-secretário de Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz) Afonso Lobo Moraes por receber mais de R$ 1 milhão em propina. O dinheiro era para favorecer o esquema de desvio de recursos públicos da saúde revelado pela “Operação Maus Caminhos”. Também foram denunciados os empresários Mouhamad Moustafa e Priscila Coutinho. Na ação penal, o MPF pede a condenação do ex-secretário por corrupção passiva e dos empresários por corrupção ativa. As penas para os dois crimes podem ultrapassar 20 anos de prisão.

Segundo a denuncia, entre maio de 2014 a agosto de 2016, Afonso Lobo recebeu de Mouhamad ingressos para a final da Copa do Mundo de Futebol, ingressos para o show de Roberto Carlos, ingressos para o evento Villa Mix e para o show de Wesley Safadão, além de vinhos raros, pagamento de diárias em hotel em Brasília, cessão de carro e motorista em Brasília/São Paulo e transferências para a empresa Lorcam Consultoria Financeira Ltda-ME. A participação dele no esquema de corrupção veio à tona com a deflagração da “Operação Custo Político”, em dezembro de 2017, como desdobramento da Operação Maus Caminhos.

Afonso Lobo é servidor público estadual, auditor-fiscal da Fazenda do Estado do Amazonas e foi secretário da Sefaz por mais de quatro anos, de dezembro de 2012 a janeiro de 2017, durante as gestões dos ex-governadores Omar Aziz (PSD) e José Melo (PROS). As investigações mostraram que, por ocupar tal posição, era peça estratégica para a organização criminosa liderada por Mouhamad, ao garantir tratamento privilegiado em comparação com os demais credores do Estado do Amazonas.

Na ação penal, o MPF pede a condenação de Lobo por corrupção passiva, crime previsto no artigo 317 do Código Penal, e de Mouhamad e Priscila por corrupção ativa, conforme disposto no artigo 333 do Código Penal. As penas para os dois crimes podem ultrapassar 20 anos de prisão.

A ação penal tramita na 4ª Vara Federal e aguarda recebimento da justiça