Agente de socialização da Umanizzare “socializava” mesmo era com os criminosos; ele foi preso

Sabe aquela empresa que recebeu, em três anos de Governo de Melo (2013 a 2016), R$ 809 milhões para administrar cinco presídios no Amazonas? Essa empresa e a Umanizzare, e entre as justificativas dadas pra receber tanto dinheiro, diz ter contratado “pessoal qualificado” para lidar com os detentos nos presídios do Estado. Eles são chamados, pela empresa e pelo Governo, de “Agentes de Socialização”. Um desses agentes demonstrou ontem que tipo de “socialização” era feita pela Umanizzare. O agente foi preso por policiais do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), em flagrante, acusado do crime de violação de sigilo funcional qualificado por dano à administração pública.

Segundo informações do próprio Governo do Estado, o homem, que é funcionário terceirizado da empresa Umanizzare Gestão Prisional Privada, foi preso, por policiais militares que atuam no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no momento em que estava trabalhando. De acordo com o diretor do DRCO, delegado Juan Valério, o funcionário é suspeito de repassar informações sigilosas a um interno do Compaj, localizado no quilômetro 8 da BR-174. “Na apuração dos fatos, o agente repassou informes precisos e sigilosos sobre o quantitativo de agentes e policiais nas guaritas e no portão operacional, o P3. Esse local é estratégico para uma possível rebelião e onde se guarda todo material necessário ao normal funcionamento da penitenciária”, disse Valério.

Conforme o diretor do DRCO, o preso que recebeu a informação do agente fingiu estar doente para poder ser transferido à enfermaria, onde, de lá, receberia informações do agente penitenciário. Com a volta do interno ao pavilhão, iniciou-se um tumulto nas celas, onde os internos batiam nas grades e ameaçavam queimar colchões. “Rapidamente o tumulto foi cessado com o acionamento do reforço emergencial das forças de segurança”, informou.

O diretor adjunto do DRCO, delegado Guilherme Torres, explicou que o agente, apesar de ser funcionário contratado de uma empresa privada que presta serviço no Sistema Prisional do Estado, equipara-se a um funcionário público para fins penais, motivo pelo qual o homem foi autuado em flagrante pelo delito praticado contra a administração pública. “Pelo fato de ter uma pena superior a quatro anos, não foi arbitrada fiança e o agente penitenciário ficará à disposição da Justiça. Enviaremos ofício à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para que seja resguardada a integridade física do homem, bem como sua identidade”, pontuou Torres.

Para finalizar, o diretor do DRCO destacou que um inquérito policial foi instaurado para apurar a possível participação do agente penitenciário em uma organização criminosa, pois há indícios que o homem atuava naquele presídio repassando informações privilegiadas que possuía do Sistema para membros de uma facção.