Agronegócio perde participação nas exportações em 2021

Foto: Agência Brasil

As exportações do agronegócio atingiram um ritmo muito forte em 2020. As receitas somaram o recorde de US$ 120,4 bilhões.
Os cálculos são do jornal Folha de S.Paulo, com base nos dados disponibilizados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior), nesta quinta-feira (6).
Com isso, o montante financeiro acumulado nos últimos dez anos com exportações do setor fica próximo do US$ 1 trilhão. É a terceira vez que as receitas com as exportações superam US$ 100 bilhões por ano.

Como comparação, as exportações gerais do país somaram US$ 280,4 bilhões no ano passado.
Apesar dessa aceleração das exportações do setor, a soja, que havia assumido a liderança da balança comercial em 2014, perdeu o posto para minérios no ano passado.

Em 2021, as exportações do complexo soja (que reúne grãos, farelo e óleo) somaram US$ 48,5 bilhões, um pouco abaixo dos US$ 48,7 bilhões dos minérios.
Com isso, a participação do agronegócio nas exportações totais do país voltou para 42,9%. Em 2020, com a disparada das receitas com soja e com carnes, e devido à desaceleração das exportações de minérios, a participação do agronegócio havia atingido 48%.

As exportações com minérios haviam somado US$ 28,9 bilhões em 2020, conforme dados a Secex, valor bem distante do de 2021.
O desempenho externo do agronegócio ocorreu mais pelos bons preços no mercado internacional do que pelo volume exportado pelo Brasil.
Em alguns casos, como o do milho, houve forte desaceleração nas vendas externas e aumento das importações, devido à quebra da safra nacional.
No mês passado, a soja foi negociada a 33% acima do valor de dezembro de 2020 no mercado externo. Nesse mesmo período, o café subiu 64%, e o trigo, 47%. Entre as carnes, a de frango registrou a maior valorização no período, com aumento de 23%.

O carro-chefe do agronegócio continua sendo as exportações de soja, que atingiram o recorde de 86,5 milhões de toneladas no ano passado, com receitas, também recordes, de US$ 39,2 bilhões.

Alguns produtos, no entanto, começam a se destacar na relação das exportações. As frutas, pela primeira vez, superaram o patamar de US$ 1 bilhão.
No ano passado, as receitas com esses produtos somaram US$ 1,1 bilhão, com aumento de 19% em relação às de 2020.

O setor florestal, em razão das vendas de madeira e de celulose, teve uma evolução de 15%. Um dos destaques foi a exportação de madeira em bruto.
Os dados da Secex indicam que as vendas externas desse tipo de madeira somaram 2,64 milhões de toneladas, com receitas de US$ 228 milhões. O volume cresceu 93%, em relação ao ano anterior, e a receita, 98%.

A balança comercial do agronegócio foi beneficiada também pelo cenário internacional difícil para o café. A menor oferta internacional do grão e os sérios problemas climáticos no Brasil, o principal fornecedor mundial do produto, provocaram aumentos explosivos nos preços.

As receitas do ano passado atingiram US$ 6,3 bilhões, com evolução de 14%. Esse é um produto que não deverá ter alívio nos preços, uma vez que as geadas de 2021 devem afetar a produção de parte das lavouras deste ano.

Conforme os dados disponibilizados pela Secex nesta quinta-feira, o Brasil foi bastante favorecido nas exportações de 2021, devido à demanda externa e à alta dos preços. O país pagou caro, no entanto, nos insumos que teve de importar.

A compra de fertilizantes, que somou 34,2 milhões de toneladas em 2020, subiu para 41,6 milhões no ano passado, com evolução de 22%. Já os gastos, que atingiram US$ 15,2 bilhões no período, avançaram 88%.

A expansão de área forçou o país a elevar também as compras de agroquímicos. O volume importado no ano passado dos principais produtos, como inseticidas, herbicidas e fungicidas, subiu para 397 mil toneladas, no valor de US$ 3,52 bilhões. A evolução dos gastos foi de 14% no ano.